Dólar abre em alta nesta sexta-feira após divulgação da taxa de desemprego no Brasil

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

O dólar abriu em alta nesta sexta-feira (31), com os investidores avaliando os dados de desemprego divulgados nesta manhã e ainda repercutindo a decisão do Copom de subir a taxa de juros para 13,25% ao ano.

Pouco antes da abertura do mercado, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou que a taxa de desemprego do Brasil fechou o quarto trimestre de 2024 em 6,2%. O indicador estava em 6,4% no terceiro trimestre do ano passado, que serve de base de comparação na Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua).

O IBGE também divulgou a taxa média anual de 2024: 6,6%. É a menor marca da série iniciada em 2012. Houve redução de 1,2 ponto percentual frente a de 2023 (7,8%).

Às 9h05, a moeda norte-americana subia 0,68%, cotada a R$ 5,8932, mas ainda caminhava para um recuo no acumulado da semana.

Na quinta, o dólar fechou em leve queda de 0,25%, cotado a R$ 5,853, e a Bolsa disparou 2,81%, aos 126.912 pontos.

O dia foi embalado pela repercussão das decisões de juros do Brasil e dos Estados Unidos.

Na ponta brasileira, o Copom (Comitê de Política Monetária) do BC (Banco Central) manteve a indicação da reunião de dezembro e aumentou a Selic a 13,25% ao ano, no que foi o primeiro encontro sob o comando de Gabriel Galípolo -nome de confiança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A decisão foi unânime entre todos os membros do colegiado.

No comunicado, o comitê reafirmou a sinalização de que pretende fazer mais uma alta de 1 p.p. na próxima reunião, em março, citando a “continuidade do cenário adverso para a convergência da inflação”.

No entanto, evitou se comprometer com qualquer ritmo de ajuste a partir da reunião de maio.

A principal função da taxa Selic é segurar a inflação. No último boletim Focus, analistas ouvidos pelo BC esperam que IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) termine o ano em 5,50%.

O centro da meta para a inflação é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou menos.

Com a previsão de inflação mais alta para 2025, analistas dizem que a taxa de juros pode ultrapassar os 15% ao ano. Segundo eles, sem ajustes fiscais que garantam reequilíbrio das contas públicas, uma elevada taxa de juros seria a única forma de frear o avanço nos preços.

Ao mesmo tempo, a falta de indicação para as decisões depois de março abriu margem para a interpretação contrária: a de que o pico da Selic pode ser menor do que o esperado anteriormente.

O comitê afirmou que, depois da próxima reunião, a magnitude do ciclo de aperto será ditada “pelo firme compromisso de convergência da inflação à meta” e dependerá de fatores como a evolução dos preços, projeções, expectativas de mercado, nível de ocupação da economia e do balanço de riscos para a inflação.

“A mensagem do Copom, na margem, sugere que a Selic terminal pode não ser tão alta quanto os mercados haviam precificado. O tom do comunicado foi duro, mas não o suficiente para deixar claro que a nova gestão será tão ‘hawkish’ [favorável à alta de juros] quanto a anterior”, disse Eduardo Moutinho, analista de mercados do Ebury Bank.

“Um tom menos crítico com o cenário fiscal e a falta de orientação futura abrem espaço para interpretações sobre o compromisso da gestão.”

Essa percepção também era observada na curva de juros, onde as taxas futuras para contratos de curto prazo recuavam mais de 2%, refletindo um cenário de juros mais baixos do que o esperado.

O Ibovespa também surfava nessa percepção, com quase todas as empresas da carteira teórica no positivo.

Comentando sobre a decisão do Copom, o presidente Lula afirmou que o governo fará sua parte enquanto a autoridade monetária atua para baixar a inflação.

“Uma pessoa que tem a experiência de lidar com o Banco Central como eu tenho tem consciência de que, em um país do tamanho do Brasil, o presidente do BC não pode dar um cavalo de pau num mar revolto de uma hora para outra”, disse.

Ele acrescentou não ver necessidade de novas medidas fiscais, mas ponderou que poderá reavaliar essa visão a depender do cenário. Para ele, o Brasil vai continuar crescendo, a massa salarial vai aumentar e o salário mínimo vai continuar sendo reajustado acima da inflação, “tudo isso sem ameaçar a estabilidade fiscal”, assegurou.

Já na ponta norte-americana, o Fed (Federal Reserve, o banco central norte-americano) manteve a taxa de juros na banda de 4,25% e 4,5%, como amplamente esperado.

No comunicado, removeu a linguagem das últimas atas que dizia que a inflação estava progredindo em direção à meta e, agora, observou que o ritmo de aumento nos preços “permanece elevado”. As autoridades ainda disseram acreditar que o progresso na redução da inflação será retomado este ano, embora não tenham dado nenhuma indicação de quando as taxas irão voltar a cair.

Após reunião de dezembro, o Fed -de olho na persistência da inflação acima da meta de 2%, no mercado de trabalho forte e na incerteza sobre efeitos da política econômica do presidente Donald Trump- já tinha indicado uma postura mais cautelosa e previsto menos cortes em 2025.

Em entrevista coletiva após a reunião, o presidente da autarquia, Jerome Powell, disse que é muito cedo para dizer o que as possíveis medidas de Trump causarão sobre a economia e que o banco central levará o tempo necessário para avaliar o significado do novo regime de políticas governamentais.

Desde a campanha eleitoral, o republicano tem prometido elevar as tarifas de importação para produtos vindos da China, Canadá, União Europeia, México, entre outros.

Segundo especialistas em comércio, a imposição de tarifas mais altas afetaria os fluxos comerciais, aumentaria custos e provocaria retaliações. Na economia doméstica dos EUA, ainda há o risco de um repique inflacionário, o que pode comprometer a briga do Fed contra a inflação e forçar a manutenção da taxa de juros em patamares elevados.

Nenhuma ordem foi assinada por enquanto. A leitura é que a política tarifária tem sido menos agressiva do que se esperava para os primeiros dias de governo, e o mercado pondera se as ameaças são bravatas políticas ou de fato planos concretos do presidente. Até agora, Trump apenas orientou que as agências federais investiguem os déficits comerciais dos EUA e práticas comerciais “injustas” de países parceiros.

As autoridades do Fed estão “esperando para ver quais políticas serão promulgadas”, disse Powell.

“Não sabemos o que acontecerá com as tarifas, com a imigração, com a política fiscal e com a política regulatória.”

Ainda na cena internacional, o BCE (Banco Central Europeu) cortou a taxa de juros novamente e manteve a porta aberta para maiores afrouxamentos. Por lá, os temores de uma estagnação na economia superam as preocupações com a inflação.

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