Demonizaram o Carnaval

O Brasil vive um dos momentos mais divertidos do ano. Nas ruas, nos salões, nos sambódromos, o público dança até suar e não para enquanto o dia não raiar. O Carnaval voltou e, com ele, a possibilidade de integrar todos os povos em um mesmo ambiente. E, por mais que algumas festas sejam de acesso mais limitado, em função dos valores, boa parte pode ser conferida por todos os públicos, como foi o Bailinho da Borges no sábado, e como será a folia de rua, tanto com blocos quanto com as escolas de samba.

Fica difícil, diante de tanta diversão, entender por que há, nos últimos anos, um processo de demonização do Carnaval. Parece que aproveitar esse momento virou hábito de desocupados, daqueles que não estão preocupados com os boletos, nem com as responsabilidades que a vida adulta nos impõe. O que se vê é uma sequência de ataques, sobretudo quando são analisados os recursos públicos investidos para a realização da Festa de Momo. E o valor não costuma ser pequeno. Estariam certos os que reclamam, então, porque esse dinheiro poderia ser aplicado na saúde e educação?

É preciso compreender que não se trata de dar verba para pagar a diversão do público – essa é uma consequência. A aplicação de dinheiro dos cofres municipais e estaduais é para fomentar o turismo, a atração de visitantes, movimentar a economia local com o aumento da venda de fantasias e produtos diversos. É gente circulando pelas ruas e frequentando os ambientes identificados com o Carnaval.

Mas e a luxúria? Em sendo um dos sete pecados capitais, estariam os foliões no auge pecaminoso, pavimentando o seu caminho para dias quentes no fogo do inverno da vida eterna. O povo fica mais soltinho, é verdade, mas isso é só reflexo do que já é durante o ano. Virou dito popular: a bebida entra, a verdade sai. O fato é que, analisando os carnavais de hoje e de outrora, dá para ver que se caminha para um período puritano, em que ainda há alguns exageros, mas nem de perto com os vividos noutras épocas.

A melhor é deixar o Carnaval fora da polarização, distante do ódio político e do ócio mental. Vamos abrir alas que ele quer passar, mesmo que troquem seu coração e ele continue corinthiano, mesmo que a cabeleira do Zezé gere a dúvida “será que ele é”. E se na década de 1990 já se dizia que iria tomar um porre, sem a necessidade de socorro, ficar criando caso com quem acordou Maria Bonita para fazer café é desperdício de retórica. Não é preciso gostar; pode até odiar o Carnaval, isso faz parte da democracia.

Mas demonizar é exagero. Coloque todo esse fôlego usado para xingar na avenida e sambe – só não esqueça que cachaça não é água, não.

LEIA MAIS COLUNAS DE MARCIO SOUZA

quer receber notícias de Santa Cruz do Sul e região no seu celular? Entre no nosso grupo de WhatsApp CLICANDO AQUI 📲 OU, no Telegram, em: t.me/portal_gaz. Ainda não é assinante Gazeta? Clique aqui e faça agora!

The post Demonizaram o Carnaval appeared first on GAZ – Notícias de Santa Cruz do Sul e Região.

Adicionar aos favoritos o Link permanente.