“A vacina é efetiva, mas ainda é preciso ampliar o público-alvo”, diz superintendente da SES sobre dengue em Goiás

A dengue continua sendo uma das principais preocupações de saúde pública em Goiás, e , durante entrevista Jornal Opção, a superintendente de Vigilância Epidemiológica e Imunização da Secretaria Estadual de Saúde de Goiás (SES-GO), Cristina Laval, revelou que o estado contabiliza 30.902 casos notificados de dengue em 2025, sendo 14.548 confirmados. Em comparação com o mesmo período do ano passado, houve uma redução de 77%. Segundo ela, esse cenário é reflexo da permanência do sorotipo 2 como o mais predominante, assim como ocorreu ao longo de 2024.

No entanto, Laval alertou para a presença do sorotipo 3 da dengue em Goiás. “No país como um todo, houve um aumento gradativo da circulação do DENV-3. Em São Paulo, por exemplo, a circulação desse sorotipo aumentou. Aqui no estado, já identificamos quatro casos, sendo três em Jataí e um em Cumari”, afirmou. Três desses casos são de pacientes que contraíram o vírus em outros estados antes de retornarem a Goiás, mas um deles não tem histórico de viagem, o que indica transmissão local. “Sabemos que ele está aqui, mesmo que de forma tímida. Por isso, o monitoramento segue rigoroso”, destacou.

Outro ponto de preocupação é o número de óbitos. Até o momento, cinco mortes foram confirmadas em Mozarlândia, Ceres, Goianésia, Heitoraí e São Simão. Outras 36 estão em investigação, aguardando análise de prontuários e exames laboratoriais para definição da causa.

Alto risco em 60 municípios

A SES-GO identificou que 60 municípios estão em situação de alto risco para a dengue. Diante disso, o governo estadual intensificou as ações de combate ao mosquito Aedes aegypti, com visitas técnicas e reuniões com as prefeituras. “Temos acompanhado esses municípios de perto, auxiliando-os na capacitação de equipes, estruturação do fluxo de atendimento e fortalecimento da vigilância da doença”, explicou Cristina Laval.

Segundo ela, algumas cidades enfrentam dificuldades no manejo ambiental devido à troca de gestão municipal. “Questões como coleta de lixo, locais adequados para descarte de pneus e estruturação da assistência médica foram comprometidas em algumas regiões”, apontou. Como resposta, algumas prefeituras têm promovido mutirões de limpeza para conter a proliferação do mosquito.

Vacinação avança, mas segunda dose ainda preocupa

A vacina contra a dengue é um dos principais instrumentos no combate à doença. Em Goiás, a imunização está disponível para crianças e adolescentes entre 6 e 16 anos, faixa etária ampliada pelo estado em relação à recomendada pelo Ministério da Saúde (10 a 14 anos). Até agora, foram aplicadas 408.240 doses, sendo 302.400 primeiras doses e 105.840 segundas doses. No entanto, a taxa de adesão à segunda dose preocupa as autoridades: 61% do público-alvo não retornou para completar o esquema vacinal.

É muito importante que pais e responsáveis levem essas crianças e adolescentes às unidades de saúde para completar o esquema vacinal”, reforçou Dra. Laval.

A vacina disponível atualmente protege contra os quatro sorotipos da dengue e requer duas doses, com intervalo de 90 dias. “Só com um esquema vacinal completo é que a pessoa está realmente protegida”, ressaltou. 

Ampliação da vacina

O Brasil está avançando na produção de uma vacina 100% nacional, desenvolvida pelo Instituto Butantan em parceria com a empresa WuXi Biologics. A previsão é que 60 milhões de doses anuais estejam disponíveis a partir de 2026, com possibilidade de expansão para outros públicos.

“A ampliação do público-alvo é extremamente positiva, mas ainda aguardamos detalhes sobre como será a introdução dessa nova vacina no Programa Nacional de Imunizações”, disse a superintendente.

Cristina Laval destacou que a ampliação da imunização é fundamental para conter a doença. “Hoje, a vacina está destinada a um grupo muito restrito. Para que possamos realmente mudar o cenário epidemiológico, é necessário ampliar essa proteção para mais pessoas”, afirmou.

A gestora também comentou sobre a possibilidade de inclusão de idosos na campanha de imunização. “Os óbitos por dengue ocorrem majoritariamente em pessoas acima dos 55 anos e com comorbidades. Se essa ampliação for confirmada, teremos um impacto significativo na redução de casos graves”, pontuou.

Enquanto a vacinação não atinge um maior percentual da população, às ações de prevenção são essenciais para conter a dengue. O governo estadual reforça que medidas como eliminação de criadouros, uso de repelentes e manutenção de locais livres de água parada continuam sendo as formas mais eficazes de evitar novos surtos da doença.

Com o aumento do sorotipo 3 no Brasil e os desafios enfrentados pelos municípios, a SES-GO segue monitorando os dados epidemiológicos e adotando estratégias para conter o avanço da doença no estado. “Nosso compromisso é manter um monitoramento constante e dar suporte aos municípios para evitar novos surtos e reduzir o impacto da dengue na população”, finalizou Cristina Laval.

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