Mais de 4 milhões de pessoas estão ameaçadas pela fome na Somália até junho

Cerca de 4,4 milhões de pessoas estão ameaçadas pela fome na Somália até junho devido à seca e à escassez crescente de alimentos, um milhão a mais que no primeiro trimestre do ano, aponta um relatório apoiado pela ONU publicado nesta quarta-feira (26).

O relatório do sistema de Classificação Integrada de Segurança Alimentar (CIP), utilizado pelas agências da ONU, estima que, no primeiro trimestre de 2025, cerca de 3,4 milhões de habitantes (17% da população do país) enfrentam insegurança alimentar aguda, depois que o final de 2024 esteve marcado por uma diminuição da produção agrícola devido à escassez de chuvas.

Nesta quarta, Stéphane Dujarric, porta-voz do secretário-geral da ONU, alertou sobre “a deterioração da segurança alimentar no país”.

A análise da CIP prevê que, entre abril e junho, 4,4 milhões de homens, mulheres e crianças (23% da população) vão enfrentar insegurança alimentar aguda, entre outras coisas devido às chuvas sazonais inferiores à média, os conflitos contínuos, os preços altos e as inundações localizadas.

O documento também estima que, em 2025, se espera que 1,7 milhão de crianças menores de cinco anos (mais 4% em comparação com 2024) sofram de desnutrição aguda e precisem de tratamento nesse contexto, incluídas 466 mil na categoria de desnutrição aguda grave.

“A piora da seca, as chuvas imprevisíveis e o conflito em curso estão minando os meios de vida, mergulhando as famílias cada vez mais na crise”, disse Etienne Peterschmitt, representante da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) na Somália, em comunicado.

Segundo a ONU, quase seis milhões de somalianos vão precisar de ajuda humanitária em 2025. Mas, em um contexto de subfinanciamento crônico, o plano humanitário lançado no final de janeiro prevê 1,43 bilhão de dólares (R$ 8,25 bilhões) para ajudar 4,6 milhões de pessoas como prioridade.

© Agence France-Presse

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