Hamas entrega à Cruz Vermelha mais quatro corpos de reféns israelenses

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

O grupo terrorista Hamas entregou nesta quarta-feira (26) à Cruz Vermelha os corpos de mais quatro reféns israelenses mortos na Faixa de Gaza. A informação foi confirmada por autoridades israelenses à agência de notícias Reuters e ao jornal Times of Israel.

Segundo a facção, os cadáveres são de Tsachi Idan, Itzik Elgarat, Ohad Yahalomi e Shlomo Mantzur, e foram devolvidos a Israel por intermédio da organização médica internacional. Uma vez em território israelense, os corpos passarão por análise forense para que suas identidades sejam confirmadas.

Mais cedo, os países mediadores entre Israel e Hamas alcançaram um acordo para trocar todos os prisioneiros palestinos que deveriam ter sido libertados na semana passada pelos corpos dos quatro reféns israelenses. O pacto foi acordado sob supervisão de autoridades do Egito.

O primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, foi alvo de críticas do irmão de Itzik Elgarat, um dos reféns cujo cadáver foi entregue nesta quarta. Danny Elgarat disse que o governo israelense abandonou sua família e que a vida do seu irmão “foi sacrificada em um altar político”.

No último domingo (23), o Hamas acusou Israel de colocar em perigo a trégua vigente há cinco semanas em Gaza ao atrasar a libertação prevista de mais de 600 presos palestinos.

Israel justificou esse atraso pela forma com que o Hamas realizou a entrega de reféns, entre vivos e mortos, desde o início do cessar-fogo, com membros do grupo mascarados em palanques decorados com slogans do movimento. Netanyahu chamou esses atos de “cerimônias humilhantes”.

O Comitê Internacional da Cruz Vermelha, que faz a ponte entre o Hamas e as autoridades israelenses nas trocas, cobrou que essas libertações sejam feitas “de forma digna e privada”.

Na semana passada, a devolução dos corpos de quatro reféns, entre eles as duas crianças da família Bibas, causou indignação em Tel Aviv porque o Hamas expôs seus caixões ao lado de imagens manipuladas de Netanyahu retratado como um vampiro.

O caso se agravou depois de uma análise forense revelar que o suposto corpo da mãe, Shiri Bibas, não correspondia a nenhum refém israelense.

Um dia depois, o Hamas devolveu o corpo de Shiri, que foi enterrado nesta quarta-feira (26) junto aos de seus filhos Ariel e Kfir, que tinham quatro anos e oito meses e meio no momento do sequestro.

Passado esse caso, o Hamas libertou no sábado seis reféns israelenses, mas Israel adiou a soltura dos 600 presos palestinos correspondentes à sétima troca desta trégua.

Nesta quarta, enquanto as forças de segurança de Israel se preparavam para libertar os prisioneiros, elas projetaram para os palestinos que foram soltos da prisão de Ofer, na Cisjordânia, um com os dizeres “estamos de olho em vocês” -algo que pode ser entendido como uma ameaça. As Forças Armadas israelenses realizaram operações para impedir comemorações no território ocupado.

O acordo mediado por Qatar, Egito e Estados Unidos pôs fim a mais de 15 meses de guerra em Gaza, desencadeada pelo ataque do Hamas de 7 de outubro de 2023, que resultou na morte de 1.215 pessoas.

O grupo terrorista também sequestrou 251 pessoas; destas, 62 permanecem em Gaza, e o Exército israelense considera que 35 delas estão mortas.

Em resposta ao ataque do Hamas, Israel lançou uma operação militar na Faixa de Gaza que deixou o território em ruínas e matou mais de 48 mil pessoas, segundo o Ministério da Saúde, ligado à facção terrorista.

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