“Ibaneis está fazendo história”, afirma Hermeto

O deputado distrital Hermeto (MDB), líder do governo na Câmara Legislativa, foi o convidado do primeiro JBR Entrevista — o podcast de política do Jornal de Brasília — de 2025. Em conversa, nesta quarta-feira (26), o emedebista falou sobre seu retorno à interlocução do Executivo com o Legislativo local, da sua atuação dentro das forças de segurança e do Plano Distrital de Ordenamento Territorial (PDOT), que será enviado ainda este ano.

JBr Entrevsta — O que o levou de volta à liderança de governo, após dois anos?

Hermeto — Acredito que seja a confiança, pela boa relação que tenho com meus pares, inclusive com a oposição, com o Chico Vigilante (PT), com o Fábio Felix (PSol). A gente diverge nas pautas, porém com educação, com respeito, e cumprindo acordos. Vamos aprovar um projeto de lei, a gente tenta um acordo. É por isso que tenho o respeito dos deputados.

A mesma coisa com o secretário da Casa Civil, Gustavo Rocha, que faz a interlocução do governo e tem uma relação muito próxima com os deputados. Ele facilita muito a vida do governador na Câmara Legislativa, pela postura e por não pedir nada que extrapole os deputados. Além do Maurício Carvalho, secretário de Relações Institucionais, que facilita muito.

Sou do partido do governador. Gosto muito dele, fora à parte política, tenho muito carinho por ele, e como falam, tenho Ibaneis [escrito] na minha testa.

Como o senhor analisa o governo?

O governo está ai há seis anos, com muitas realizações, com Brasília transformada. Se pegarmos um paralelo do que recebemos do governo anterior, que eu não tenho ressalva nenhuma de dizer que foi uma catástrofe, que não fez nada em quatro anos e se você perguntar “qual placa é da gestão anterior”, “qual foi à realização que ele deixou”, você não consegue lembrar-se de nada. Consegue lembrar-se do viaduto caído. Foi um governo que administrou folha de pagamento.

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E na Segurança Pública?

Na área da segurança pública, ficamos anos sem contratações. A Polícia Militar chegou ao menor efetivo da história. Hoje temos quase 10 mil homens graças ao governador Ibaneis. De cada três policiais da ativa, um foi colocado através de concurso no nosso governo. A PM tem 1.200 policiais formando, agora em 13 de maio, se não me engano. Mais 1.200 que entrarão este ano para recompor. Estamos enxugando gelo, porque a previsão é de quase 1 mil para ir embora, tamanho o descaso para recuperar o efetivo da Polícia Militar.

O mesmo na Polícia Civil que estava com delegacias fechadas, como quando o governador Ibaneis entrou. Hoje estamos com a segurança pública com os menores índices de criminalidade do país. Somos a segunda, fruto de um trabalho que foi feito com planejamento.

E como estão as polícias entre si? Acabou a rivalidade?

Temos um secretário, Sandro Avelar, que é de coalizão, que agrega. Quando o governador assumiu, disse que o secretário de Segurança Pública não seria uma “Rainha da Inglaterra”, porque antes era a Polícia Civil para um lado, a PM para o outro, os Bombeiros para o outro. Hoje o trabalho é de integração. O que se viu na recomposição do reajuste deixou claro: o governador sentou com os deputados e disse: “eu não dou um reajuste diferenciado para uma categoria. Ou vai todo mundo ou não vai ninguém. Se der é para todo mundo, aqui ninguém fica para trás”. O governo passado nem a recomposição deu e isso criava rixa entre as corporações. Hoje não, pois todo mundo trabalha integrado, como tem o delegado do Núcleo Bandeirante, doutor Bruno, que trabalha com PMs dentro da viatura, dentro da delegacia. Acabou isso. Antigamente, quando tinha essa briga, eu dizia: “Tem bandido para a Civil, tem bandido para a PM, tem bandido para a Polícia Federal, tem bandido para todo mundo. A gente precisa trabalhar junto”.

O que o governador pediu para que seja prioridade?

Chegamos agora, mas o PDOT é o principal e o que vai mover e tirar alguns gargalos do Distrito Federal. Tem muita coisa que precisa ser regularizada, que está ai há muito tempo e não tem regularização. Precisamos aquecer a economia, melhorar. O secretário Marcelo é muito competente, conhece como a palma da mão as dificuldades da parte urbanística e fundiária do DF. Precisamos ajudar e fazer com que a Câmara Legislativa vote esse projeto até o fim do ano. Eu era o presidente da Comissão de Assuntos Fundiários, mas agora está nas mãos da deputada Jaqueline Silva, e tenho certeza absoluta que dará certo.

O que o senhor achou da concessão da Rodoviária do Plano Piloto?

O governador Ibaneis está fazendo história. Daqui seis meses, você vai à Rodoviária do Plano Piloto e verá a diferença. Não tem como o governo administrar uma rodoviária daquela. Tinha que entregar a iniciativa privada. “Vai cobrar estacionamento”. Olha a Rodoviária Interestadual, alguém ouve falar de escada que não funciona, banheiro que está sujo. O que seria do Mané Garrincha, um estádio que custou bilhões, se não fosse o governador transformar no que é hoje? Seria um elefante branco. Eu tenho certeza que, antes de terminar o mandato do governador, ele dará um jeito no Centro Administrativo. É o que mais incomoda ele. As barreiras burocráticas, judiciais estão muito grandes ali.

Como o senhor avalia a Saúde?

Ontem (terça-feira), um deputado veio falar da saúde e eu queria falar uma coisa: eu tinha sete anos de idade, no Núcleo Bandeirante. Às vezes, minha mãe adoecia e ia para a porta do postinho e, naquela época, ela já reclamava da falta de médicos. O problema da saúde é crônico. Tivemos até governador médico e ninguém resolve. Se a saúde ficar totalmente boa em Brasília, como tem o SUS, e é justo, todo mundo vem para cá. Então, é muito complexo. O governador contratou, agora, 200 médicos, abriu UPA, hospital, mas é um saco sem fundo. A secretária Lucilene Queiroz, da Saúde, estava quase morrendo. Achei que ela iria enfartar. Falar mal do governo por conta da saúde é enxugar gelo, pois todos os governos sofreram com a saúde. O governador Ibaneis tem encarado, com vontade. Colocou o Juracy que é um cara jovem, e é isso aí: buscar alternativas.

Qual seria o caminho para amenizar a situação?

Acho que a alternativa é pegar os médicos que se formam, que passam a vida estudando nos colégios mais caros e na hora de cursar medicina vão para a UnB, ao contrário dos que estudam na escola pública e depois vão para faculdade particular pagando caro. Esses caras têm que pagar um pedágio de pelo menos oito anos em hospital público para depois eles exercerem a medicina nas clinicas particulares deles. Eles passam a vida toda estudando com o dinheiro do papai e da mamãe nas escolas mais caras e aí quando vai para a faculdade de medicina preferem a UnB, estudando de graça e sai de lá para montar sua clínica. Não quer trabalhar na Samambaia, não quer no Recanto das Emas, no Arapoanga. Ele formou com dinheiro público. Deveria existir uma lei em que eles pagassem o pedágio, para pagar o investimento com dinheiro público que foi feito neles para pagarem medicina.

O que houve para seus votos dentro da PM terem diminuído?

Acredito que tenha sido um voto de protesto. Tivemos um candidato oriundo da PM que teve 100 mil votos para governador, mais que Izalci e Paulo Octávio. Então, claro que foi voto de protesto. Faço mea-culpa, acredito que no meu primeiro mandato eu deixei a desejar muito para minha corporação, com postura, posicionamento, e isso foi ruim. A PM, como em todas as instituições, te responde nas urnas. Eu tive votos na PM, mas claro que a grande maioria votou em outro candidato. Ele não foi eleito, mas votaram nele. Agora, esse é um assunto do passado. Minha vida não tem retrovisor, somente para-brisa. Hoje minha postura é outra. Promovemos mais de 13 mil policiais, estamos com curso de formação, recomposição salarial, que eu, deputado Roosevelt, Wellington, Jane lutamos muito, e foi nossa união que fortaleceu nosso trabalho.

Como o senhor descreve seu trabalho?

A gente tem que ver que não se pode ser deputado somente de corporação. A PM teve outros deputados. Onde estão eles? Eu comecei nas comunidades. Era um sargento, policial militar que começou nas comunidades. Eu não era conhecido na minha instituição, não fiz minha história usando ela. Não fui para carro de som jogar praça contra oficial, com discursos de ódio. Tínhamos que nos unir, pois erámos uma única corporação. Tenho muito orgulho de trabalhar pela minha instituição e depois da recomposição salarial, vamos trabalhar pela reestruturação da carreira. Agora mais do que nunca, porque tenho meu único filho que passou para o concurso e irá trabalhar como soldado, na rua, lá na Ceilândia. Ele não vai para gabinete de ninguém, porque eu quero que ele seja operacional. Eu não fui muito [operacional], mas quero que ele seja.

O senhor se posicionou contra a atitude do ex-presidente Jair Bolsonaro de não passar a faixa para Luiz Inácio Lula da Silva. Qual o motivo?

Fui. Eu votei no Bolsonaro, sou militar, mas ele errou feio. Falei isso lá em novembro de 2022. É a democracia, respeite as urnas. Eu perdi duas eleições para ganhar duas. O que a gente faz quando perde? Passa o luto, dá a volta por cima, passa um pouco e segue adiante. Se o Bolsonaro tivesse feito tudo o que deveria, hoje, ele era imbatível para presidente. Se tivesse feito oposição não teriam ocorrido os atos antidemocráticos, não teria gente na porta de quartel, pois, quando você não assume a derrota e não passa à faixa você fomenta aqueles caras.

Dentro de tudo que o senhor fez, enquanto relator da CPI dos Atos Antidemocráticos, como o senhor vê esse momento?

Eles não deram o golpe. Os que quebraram lá [os prédios dos Três Poderes] eram vândalos. Não tinha líder, não tinha arma, não tinha nada, foram anarquistas. Deveria haver uma dosemetria da pena.

E o alto comando?

Os coronéis [da PM] não queriam [golpe]. Eles podem ter sido negligentes. Eu conheço coronel Klepeter, Fábio. Eles não facilitaram. Agora, o que aconteceu foi que houve erro de planejamento. Eles podem ser condenados na culpa não no dolo, não ter colocado efetivo, subestimar a manifestação. Dizer que eles programaram ali, que fizeram corpo mole, policial não fez isso.

Onde estão pautados seus projetos?

No DF todo. Tem um projeto que pouca gente sabe que é meu que a entrega de remédio de alto custo em casa. Antes havia fila para pegar remédio de alto custo. Eu tenho orgulho de ser o autor da lei que leva remédio em casa. Foi sugestão de um médico, doutor Renato.

Qual será a pauta do governo e a do senhor nos últimos dois anos?

Se Deus quiser, nosso grupo político vai entregar um trabalho fantástico. Vamos nos unir e nossa governadora será Celina Leão (PP), e trabalhar para que não se interrompa o que está sendo feito no Distrito Federal. Ontem mesmo, ela deu uma declaração garantindo que não interromperá o que o Ibaneis está fazendo. A minha perspectiva é vir para a reeleição de distrital e ajudar o governador a ser senador. Nosso grupo político precisa continuar não por vaidade ou poder, mas para não interromper o que o governo está fazendo, o desenvolvimento que está acontecendo. Os empresários e o setor produtivo nunca estiveram tão felizes. Temos problemas, temos, mas temos obras para todos os lugares. O social, com o Prato Feito, restaurantes a R$ 1, que agora servem café da manhã. O governador me contou que o orçamento do Social passou para mais de R$ 1 bilhão. Não tem somente obra, ele investe no social, cultura.

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