Como desassoreamento do Tietê, previsto para este mês, pode evitar enchente

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SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS)

O governo de São Paulo começará a desassorear trecho do rio Tietê entre a capital e Guarulhos neste mês. Um dos objetivos do projeto é aumentar a capacidade do rio para evitar enchentes.

O desassoreamento pode ajudar a evitar enchentes. Objetivo do programa é aumentar a capacidade dos rios de absorver as chuvas, segundo a Semil (Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística). O professor José Mierzwa, do Departamento de Engenharia Hidráulica e Ambiental da Poli-USP, diz que “os principais benefícios são associados à manutenção da capacidade de transporte de água dos rios, principalmente, em períodos de chuvas intensas, evitando o transbordamento”.

“No caso específico do rio Tietê, [o desassoreamento pode reduzir] a ocorrência de alagamentos das suas margens e nas áreas de drenagens dos córregos que chegam até ele”, disse José Mierzwa, professor da Poli-USP.

O assoreamento é definido pelo acúmulo de sedimentos em cursos de água. Esses sedimentos podem surgir de diversos lugares, se não houver controle ou retenção deles. “Em geral, isso pode ocorrer por desmatamentos, atividades da construção civil, sempre relacionado à exposição do solo devido à remoção da cobertura vegetal. Também ocorre o transporte de sedimentos pelo desgaste de pavimentos e pela própria deposição de partículas da atmosfera”, diz Mierzwa.

Desassoreamento é um processo multifatorial. Segundo Mierzwa, além da ação direta, é necessário que se invista em medidas para minimizar a ocorrência de sedimentos nos rios – e isso vai desde processos relacionados à construção civil até ações de moradores para que evitem sedimentos nos sistemas de drenagem.

“O processo de desassoreamento é contínuo, o que pode mudar é a frequência de sua realização. Para minimizar a ocorrência, é necessário um melhor controle sobre os processos de uso e ocupação do solo, principalmente das atividades que envolvem remoção da cobertura vegetal e exposição do solo”, disse José Mierzwa, professor da Poli-USP

13 ESTÁDIOS DO MORUMBI CHEIOS DE LIXO

Desassoreamento do Rio Tietê já começou em outras localidades, mas agora está próximo da capital. O programa Integra Tietê está sendo executado pela SP Águas e atua com a retirada de diversos sedimentos, além da expansão do saneamento básico e da recuperação da fauna e flora. Agora, em uma nova fase com investimento de R$ 72,7 milhões, o processo deverá ser realizado ao longo de 11,7 km do rio, abrangendo o trecho entre a Ponte José Ermírio de Morais (antiga Ponte da Empresa Nitroquímica) e vai até a foz do Córrego Três Pontes.

Volume já retirado do Tietê e Pinheiros é de 1.040 piscinas olímpicas. Segundo o governo, em dois anos, 2,6 milhões de m³ de resíduos dos rios Tietê e Pinheiros foram retirados. O valor equivale também a cerca de 13 estádios do Morumbi completamente cheios de lixo.

Agora, governo prevê a remoção de retirada de 208 piscinas olímpicas -ou 2,5 estádios do Morumbi. Além disso, o projeto ainda deve remover 150 carcaças de veículos que estão em trecho de 13 km do rio Tietê entre Guarulhos e São Paulo.

Governo diz que projeto também prevê eliminação do lançamento de esgoto no Tietê. Em nota, o município disse que 247 mil novas ligações de esgoto foram realizadas. A Sabesp ainda tem 42 contratos de obras em andamento para 2026 e planeja instalar 10 novas ETEs (Estação de Tratamento de Esgoto), permitindo que mais de 1 milhão de residências tenham tratamento de esgoto. “Essa medida segue o objetivo da universalização do saneamento no estado de São Paulo e reduz as cargas poluentes no Tietê”, diz comunicado.

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