Encontrei um discípulo de Celmo Celeno Porto

Já falei aqui neste espaço sobre o médico cardiologista Celmo Celeno Porto. É cardiologista, professor da Universidade Federal de Goiás. Seu currículo é extenso. Escreveu livros na área médica. Há um cujo título é “Dr. Calil Porto – O Menino e a Borboleta”. A obra, devido a seu título, está na minha relação de leitura para este ano. Já fiz o pedido do livro. Celmo foi quem disse que um médico é mais perigoso que um louco, pois, conforme ele, a gente corre do segundo e se entrega ao primeiro. Em relação ao discípulo, que também é médico, mais abaixo falo dele. Antes vou contar algo com certa pertinência aos dois enquanto adeptos da medicina humanitária.

A última vez em que procurei um médico do Instituto Municipal de Assistência à Saúde dos Servidores de Goiânia (o famoso Imas) foi quase no final da desgovernada gestão passada: uma “charrete que perdeu o condutor”, haja vista que o ex-prefeito preferiu ser amado a temido. . Na fase terminal da administração, havia poucos hospitais atendendo os servidores usuários do instituto. O Imas adoeceu na má gestão, pois deixou de cumprir sua função essencial, que é prestar assistência de qualidade aos servidores.

A crise na saúde era tamanha que algumas pessoas chegaram a morrer por falta de leitos em UTI, e isso em decorrência de dívidas não pagas a hospitais pela gestão rogeriana. Dívidas estas herdadas por Sandro Mabel, que se mostra motivado à frente do governo de Goiânia e certamente há de normalizar a situação crítica por que passa a prefeitura de modo geral. É desarrazoado cobrar dele uma solução para um problema de grande dimensão num espaço de quase dois meses de administração. Sua subjetividade midiática tem sido apedrejada, mas ela é um grão de mostarda perto do seu entusiasmo em fazer a cidade voltar a trilhar o caminho da prosperidade, do bem-estar social e ambiental. Se o tempo passar, e ele não transformar em fato o que anda falando, vai sair pela porta do fundo do Paço Municipal como seu antecessor.

Matéria do Jornal Opção | Foto: Reprodução

Pois bem. Fui até o prédio do Imas, que fica na Avenida Paranaíba, e procurei um hospital que tivesse médico urologista atendendo pelo plano. Ufa! Consegui um. Coisa de cinco dias fui à consulta. Esperei a minha vez de ser atendido. Muita gente. A maioria com semblante fechado. A alegria da sala era uma criança de três anos que estava com um casal. A menininha, que estava com um vestidinho todo florido de rosas, falava do seu cachorrinho. Perguntou à avó se cachorro também vai para hospital. O homem foi atendido primeiro que eu, a avó ficou com a netinha na sala de espera.

“Qual o seu problema, senhor Sinésio?” Contei tudo e até mais um pouco. Nem as paredes me ouviram. O calhorda do médico não deu bago de atenção ao meu, que estava dolorido. Era para ele ter apalpado, entretanto não quis encarar. Enfim, não realizou um exame clínico. O famoso procedimento adotado pelos médicos sérios – a anamnese – ele não utilizou. Talvez seja uma pessoa que tenha escolhido a profissão de médico sem gostar de pessoas. O que, para muitos pacientes, acaba resultando em caixão e vela preta… Vítimas dos erros médicos não faltam nos obituários.

Eu poderia soltar todos os cães da matilha no médico sobre a sua falta de profissionalidade. A língua coçou, mas me conscientizei que expor o meu descontentamento seria falar com ninguém. E assim a raiva dos cães soltos só a mim atingiria. Botei a viola no saco fui cantar noutra freguesia. Ou seja, paguei uma consulta particular. Aí foi outro papo. Aconteceu um exame meticuloso. Saí do consultório aliviado, pois não se tratava de nada sério. “Bola pra frente, vida que segue, Sinésio”: frase que eu me disse.

Charles Guimarães Damasceno é o médico discípulo de Celmo Celeno Porto. Caminhando no último sábado com um amigo na Ecovila Santa Branca, em Terezópolis de Goiás, isso já de noitinha, aconteceu um imprevisto: meu amigo sofreu uma queda da própria da altura (termo que a enfermeira do posto de saúde da cidade citou se referindo a alguém que cai quando está em pé). Muita gente aguardando atendimento, e o doutor Charles atendendo a todos com solicitude em seu plantão de 24 horas. Devido ao sangramento no rosto, meu amigo foi atendido na frente. E foi um atendimento com muita presteza, o que deixou claro que o jovem médico escolheu a profissão por amor às pessoas. No domingo à tarde, passei com o amigo no posto para retirada do curativo. Lá estava o doutor Charles no término do seu plantão. Ele saiu do seu consultório e foi à enfermaria saber como meu amigo estava depois do curativo.

Sinésio Dioliveira é jornalista, poeta e fotógrafo da natureza

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