Motorista de caminhão e dono de empresa são indiciados por 39 mortes de acidente com ônibus em MG

semirreboque que carregava bloco de quartzito se desprendeu do caminhão em acidente que deixou 39 vítimas

ARTUR BÚRIGO
BELO HORIZONTE, MG (FOLHAPRESS)

A Polícia Civil de Minas Gerais indiciou o motorista do caminhão e o dono da empresa de transporte por homicídio com dolo eventual (quando assume o risco de matar) pelo acidente com ônibus que matou 39 pessoas em Teófilo Otoni (MG) no fim do ano passado.

Eles também foram indiciados por lesão corporal leve e grave contra outras 11 pessoas que ficaram feridas no local após um bloco de quartzito se desprender do caminhão e atingir o veículo coletivo, que pegou fogo.

O inquérito ainda apontou que Arilton Bastos Alves, o motorista do caminhão que está preso desde o mês passado, cometeu os crimes de fuga do local do acidente e por não ter prestado socorro.

Já ao proprietário da empresa também foi imputado o crime de falsidade ideológica, por adulterar no documento de transporte o peso das pedras que eram transportadas.

Procurada, a defesa do motorista não respondeu às tentativas de contato da reportagem. Em manifestações anteriores, afirmou que o condutor colaborou com as investigações e disse que não há elementos que justifiquem a prisão.

A Folha de S.Paulo não conseguiu contato com o dono da empresa de transportes.

O inquérito agora será encaminhado ao Ministério Público, que decidirá pela apresentação ou não da denúncia (acusação) contra os envolvidos.

A Polícia Civil apontou que os dois blocos de quartzito somavam 103 toneladas, o que representa 77% de sobrepeso acima do permitido.

“Ele ainda trafega em grande parte desse trajeto em excesso de velocidade. No momento do acidente, aquele semirreboque estava a 97 km por hora. A perícia apontou que qualquer velocidade acima de 62 km por hora de um veículo que pesa 103 toneladas causaria o tombamento”, afirmou o delegado Amaury Albuquerque.

A corporação apresentou uma simulação sobre como teria acontecido o acidente que envolveu, além do semirreboque e o ônibus, um outro caminhão e dois veículos de passeio.

Antes do tombamento do segundo semirreboque que atingiu o ônibus, a carreta que provocou o acidente chega a colidir com um caminhão baú antes de atingir o coletivo. Na sequência, um carro colide com a carga tombada e uma caminhonete atinge a traseira do veículo.

A perícia também identificou que houve uma mudança estrutural na suspensão do semirreboque para o suporte do excesso de carga.

“Só que isso desloca o centro de gravidade, e não há estrutura que aguente o sobrepeso. O resultado era certo e ele foi aceito por esses indivíduos, talvez em busca de lucro”, afirmou o delegado.

Os investigadores também reforçaram o resultado de laudos que apontaram a presença de álcool e drogas, entre elas cocaína e ecstasy, no organismo do caminhoneiro preso.

Em manifestação anterior, a defesa do suspeito apresentou o resultado de um exame feito com o cabelo do motorista que indicava não haver essas substâncias em seu organismo. Já a análise da Polícia Civil foi feita com base na urina do condutor.

“A janela de detecção é diferente conforme a matriz e até mesmo a técnica utilizada. Fizemos a quantificação conforme a literatura e com o suporte da Unicamp [Universidade Estadual de Campinas] e conseguimos chegar àqueles resultados que levaram à prisão do autor”, afirmou o perito criminal Felipe Dapieve.

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