Traição à liberdade

A luta por liberdade e direitos civis construiu uma imagem de firme atuação em prol de um mundo melhor, mas os Estados Unidos vêm perdendo este verniz nesta volta de Donald Trump.Não bastasse a narrativa agressiva, ameaçando a soberania de outros países, agora a superpotência mostra toda sua nudez obscena, ao prender um estudante da Universidade de Columbia ativista pró-Palestina.O “crime” de Mahmoud Khalil foi manifestar-se livremente pela paz entre Israel e Hamas em Gaza: detido em Nova Iorque, o universitário pode ser deportado se a procuradoria conseguir cassar seu green card – “cartão verde”.O documento salvaguarda sua escolha por viver na “América” junto a sua esposa, grávida de oito meses. Mas a ideia dos conservadores é a de perseguir quem se posiciona contra os sionistas de Jerusalém.Como toda proposta autoritária, ao ocupar o poder, o governo estadunidense escolheu o grupo social de “árabes” para perseguir, junto a outros estrangeiros, culpando-se os migrantes por todos os males.A vítima da vez  é cidadão de origem palestina, embora tenha vindo da Argélia, país no qual a “liberdade” raiou em 1962, com a expulsão dos franceses; “liberdade” hoje estranhamente renegada nos EUA.Além de atacar o valor moral constituinte do seu perfil, em crise “autoimune” de identidade, os “yankees” rasgaram as próprias leis, quando os agentes efetuaram a prisão ilegal.A escalada dos delírios persecutórios ocorre às vésperas do centenário da emblemática execução dos anarquistas Sacco e Vanzetti, condenados à morte por organizarem multidões contra a opressão.O país da “estátua da liberdade” vira as costas para si mesmo, ampliando o estado de vigília dos democratas e trabalhadores a fim de evitar germinar a semente do mal nazifascista no solo que lhe seria supostamente estéril.
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