A Última Sessão de Freud retorna a Brasília com reflexões sobre fé, psicanálise e humor

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Sucesso no teatro brasileiro desde 2022, A Última Sessão de Freud está de volta a Brasília neste fim de semana, com sua segunda temporada no palco do Teatro Unip. Dirigida por Elias Andreato e estrelada por Odilon Wagner e Marcello Airoldi, a peça apresenta uma conversa fictícia entre Sigmund Freud, o pai da psicanálise, e C.S. Lewis, escritor e acadêmico cristão autor de As Crônicas de Nárnia. A montagem, que já foi vista por mais de 130 mil pessoas, foi indicada a prêmios como Shell, APCA e Bibi Ferreira. O cenário realista, uma reprodução do gabinete de Freud em Londres, assinado por Fábio Namatame, é descrito como “quase um terceiro personagem de tão importante”.

Inspirada na peça Freud’s Last Session, de Mark St. Germain, baseada no livro Deus em Questão, de Armand Nicholi, a história se passa em 3 de setembro de 1939, o dia em que o Reino Unido declarou guerra contra a Alemanha, e coloca frente a frente dois dos maiores pensadores do século XX.

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A Última Sessão de Freud. – Foto: João Caldas

De acordo com Odilon Wagner, o que torna a peça diferente de outras do mesmo gênero é sua linguagem acessível a todos os públicos e o fato de trazer dois gênios do século XX conversando como homens comuns. Ele destaca ainda que o humor e a ironia são elementos centrais da narrativa. “Todos os homens geniais têm o humor como característica. Uma das grandes sacadas do texto é misturar reflexão, linguagem acessível e humor. A ironia e o humor são elementos da natureza humana. Nossa mente não aguenta muito tempo de tensão, e o pensamento engraçado nos ajuda a sair desse estado de terror.”

Sobre a surpresa que os personagens trouxeram durante o processo de pesquisa, Wagner explica: “São dois personagens geniais, e ambos têm algo em comum: são apaixonados por suas ideias e profundos na investigação das questões que levantam. Freud era um homem muito intenso, que mergulhava no estudo da mente humana, da morte e da vida. Ele se entregava com profundidade a tudo, o que me trouxe muitas reflexões sobre minha vida pessoal e sobre como eu estava sendo supérfluo em algumas questões. A peça me ajudou a voltar a estudar e a me concentrar na investigação de tudo aquilo que desperta meu interesse.”

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A Última Sessão de Freud. – Foto: João Caldas

Para Marcello Airoldi, a direção de Elias Andreato foi fundamental para a dinâmica entre os personagens. “Uma das coisas mais importantes que o Elias trabalhou com a gente foi a escuta. Quando um ator abre a escuta, ele ganha muita presença. Às vezes, acreditamos que quem está apenas ouvindo não está fazendo nada, mas, pelo contrário, trata-se de uma escuta ativa. A próxima fala só surge por conta do que acabou de ser ouvido.” E complementa: “O Elias trabalhou entre os atores, o que com certeza dá uma dinâmica importante ao espetáculo. A escuta é viva, os personagens e os atores estão vivos o tempo todo, presentes em cena para que essa dinâmica se estabeleça.”

O enredo da peça explora temas como fé e religião, que sempre estiveram em debate na sociedade e continuam a gerar reflexões. “Com as transformações causadas pela pandemia, a maneira como as pessoas encaram a dor e o medo da morte também mudou”, afirma Wagner. Ao abordar questões tão atuais e universais, a peça estabelece uma conexão profunda com o público, tornando a experiência ainda mais envolvente.

Serviço
A Última Sessão de Freud
Local:
Teatro UNIP
Endereço: SGAS 913 – Asa Sul, Brasília – DF, 70297-400
Temporada: dias 21, 22 e 23 de junho, sexta e sábado, às 20h e domingo, às 19h30
Ingressos: Plateia: R$ 140 (inteira), R$ 70 (meia), e R$ 100 ingresso solidário (mediante doação de 1kg de alimento)
Bilheteria: virtual no Sympla e www.freud.art.br e física, sem taxas, na Belini (113 Sul)
Duração: 90 minutos
Classificação indicativa: não recomendado para menores de 14 anos

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