A evolução do papel do publicitário no setor agro

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Quando vivemos dentro da nossa bolha, perdemos a perspectiva das ocorrências que nos cercam. No fim dos anos 1970, o Brasil vivia uma crise, quase sempre iminente, de insegurança alimentar. Enquanto a pobreza grassava o campesinato pelo interior do país, éramos os maiores importadores de alimento do mundo. Depois de quase meio século, a escassez se transformou em fartura, gerando riqueza e força para toda a nação. 

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Camilo Moraes

Contudo, tanto somente pôde ser feito pelo setor devido a um trabalho proeminente da publicidade, a qual está entremeada no segmento, sendo primordial para toda a sua metamorfose, iniciada há 45 anos. Nos quatro cantos do mundo, o marketing e a comunicação são elos fundamentais entre as instituições e a sociedade, por meio das quais ocorre o crescimento e o desenvolvimento do agronegócio. 

Sabe-se que o Brasil deixou de ser importador de alimentos básicos na década de 1970, transformando-se em um dos maiores exportadores de commodities do mundo. Na época, a produção de grãos era de 30 milhões de toneladas; o valor se multiplicou, chegando a 317 milhões de toneladas em 2024. Elevou-se o IDH das cidades nas quais o Agro predomina. Isso reforça a contribuição do segmento para melhoria das condições sociais no Brasil.

Para compreender tal fenômeno, é preciso refletir sobre a cultura agrícola, o perfil da mão de obra e a região em que está radicado. Um bom exemplo que aborda tal singularidade são as revistas. Nos centros urbanos esse segmento quase não aparece nos planos de mídia. Mas no agro tudo isso é um pouco diferente. 

Conforme pesquisa publicada pela ABMRA, hábitos do produtor rural, 71% dos produtores de batata do Paraná leem revista. Na capital paulista, tal índice tem um decréscimo de 36% para o público de produtores de tomate. O levantamento mostra que no Pará 47% dos agricultores e pecuaristas têm acesso à internet. No Rio Grande do Sul, a taxa sobe para 92%, considerando-se agricultores e pecuaristas de diversos portes.

Devemos estar atentos à estratégia de mercado que vamos adotar. Não podemos considerar, por exemplo, que todos os produtores rurais possuem as mesmas condições. Isso é um equívoco que pode comprometer seriamente a campanha. A imagem dos produtores deve ser trabalhada a partir de uma conexão emocional com o público, compreendendo as necessidades intrínsecas a cada perfil. 

Tais esforços fizeram do Brasil um recanto sustentável, apresentando uma nova face do agro. São combatidas a segurança alimentar, a segurança energética, a desigualdade social e as mudanças climáticas. 

Os investimentos em marketing e em comunicação superam outros mercados com expertise em anúncios. Mantêm-se seus canais de TV cuja programação projeta integralmente o setor do agronegócio. Há mais de 30 títulos de revistas e jornais, programas de rádio e TV aberta em todo o país. Os números de portais e sites são incontáveis, assim como o número de influenciadores digitais. 

Há uma desconexão entre o que ocorre no campo e o que chega à sociedade. É necessário que o agro trabalhe cada vez mais a sua imagem, assim, desenvolve-se concomitantemente um país. Ainda há muito a ser trabalhado para que todos compreendam a verdadeira realidade do campo. Este é um desafio para as próximas décadas. Este é o momento de nos mantermos uníssonos quanto ao clima, às queimadas e às emissões de gases de efeito estufa, mostrando que este também é um setor sustentável. Esta é uma missão das agências em consonância com todo o país. 

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