SindiTabaco e Embrapa assinam parceria para cuidar do solo das propriedades de tabaco

O Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco (SindiTabaco) e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) formaram uma cooperação técnica de olho para ampliar as Boas Práticas Agrícolas (BPAs) nas propriedades ligadas ao setor. Trata-se do Solo Protegido, que visa a análise e o impulsionamento da qualidade do terreno nas unidades produtivas.

Para isso, vão ser selecionadas 33 propriedades de 11 microrregiões produtoras de tabaco no Sul do País. As ações irão ocorrer em cinco anos (60 meses) em quatro etapas. A primeira é o diagnóstico da qualidade do solo. Especialistas da Embrapa ficarão a cargo da coleta de amostras a respeito da particularidade biológica, física, química e mesofauna (organismos presentes na terra). Concluída a apuração, os profissionais darão sequência à recomendação dos planos de intervenção. Depois, ocorre a intervenção e o monitoramento.

LEIA MAIS: Visitantes estão atentos às novidades da feira

Para o pesquisador da Embrapa e coordenador do projeto, Adilson Bamberg, a iniciativa trabalha aquele que é considerado um dos pilares mais vulneráveis do setor, a conservação dos solos nas regiões produtivas. E que, na sua avaliação, necessitava de mais ações de pesquisa para melhorar. 

Para alcançar o resultado, foram elencados os principais desafios e que, conforme o especialista, impactam na qualidade da terra: a declividade dos terrenos, chuvas torrenciais e eventos climáticos extremos. Estes, segundo ele, também afetam a qualidade do tabaco produzido, pois trata-se de uma cultura que depende desta característica.

Bamberg evidenciou, por meio de uma análise da empresa, a maneira como a catástrofe climática afetou a saúde do solo. Antes dos eventos, a 56% das amostras coletadas no Rio Grande do Sul eram consideradas saudáveis. Depois, caiu para 42%.

LEIA MAIS: Vice-governador cobra ações urgentes para enfrentar os problemas ligados ao clima

Para o pesquisador, isso demonstra a importância das BPAs para a proteção contra eventos extremos que, na sua avaliação, estão cada vez mais devastadores e intensos. “Foi nítido que as enchentes degradaram muito os nossos solos, sobretudo aqueles solos que não continham boas práticas agrícolas, que foram mais impactados e destruídos. E nós temos que nos preparar para isso”, apontou. 

Bamberg ainda reiterou a importância da região do Vale do Rio Pardo no setor do tabaco, que além de pujante, contribui com vários casos bem sucedidos do bom manejo do solo. “Esses produtores com certeza serão referência, serão visitados e serão instigados a repassar esse conhecimento que eles possuem. Ninguém melhor do que o produtor para aconselhar os demais produtores e mostrar para eles como funciona, como se deve fazer o bom uso, o bom manejo, a boa conservação do solo e da árvore”, destacou.

Ações visam ajudar na recuperação da áreas atingidas pelas enchentes

A assinatura do projeto Solo Protegido ocorreu na tarde de ontem, primeiro dia de programação da Expoagro Afubra. Durante o ato, a chefe-adjunta de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Clima Temperado, Rosane Martinazzo, reiterou que a iniciativa não poderia chegar em melhor hora diante dos estragos provocados pelas enchentes no Rio Grande do Sul no ano passado. E o projeto, segundo ela, vem para auxiliar os agricultores e a recuperação do Estado.

O presidente do SindiTabaco, Valmor Thesing, destacou que a região do Vale do Rio Pardo foi severamente afetada, assim como os produtores. “Infelizmente, nós estamos enfrentando as alterações climáticas que trazem adversidades. E essas melhores práticas de condução dos solos vão proteger para eventuais intempéries”, frisou.

LEIA MAIS: Na Expoagro Afubra, líderes reforçam a defesa do setor produtivo

Na avaliação de Thesing, os trabalhos também visam o fortalecimento da produção de tabaco brasileiro. “Entre 20 e 30% de todo o volume de tabaco comercializado ao redor do mundo é exportado pelo Brasil. E esse tipo de projeto é mais um passo para que ele se mantenha e continue gerando renda para os produtores e desenvolvimento para todo o País. Tenho convicção que os resultados que nós vamos escolher aqui, ao longo de cinco anos, eles vão estar ajudando”, afirmou o dirigente.

Programa vai incentivar a diversificação pós-colheita

O SindiTabaco lançou ontem o programa Tabaco é Agro: Diversificação das Propriedades. A iniciativa dá sequência às ações implementadas em 1985 para incentivar os produtores a ampliarem a quantidade de culturas produzidas, sobretudo de grãos, após a colheita do tabaco, contribuindo ainda para o maior aproveitamento dos recursos nas propriedades.

Dados da Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra) evidenciam que, na safra 2023/2024, o tabaco ocupou cerca de três hectares plantados, o que representa 20,5% da área média das unidades produtivas. Entretanto, resultou em 56,3% da receita dos produtores, chegando a R$ 11,78 bilhões. Outras culturas obtiveram R$ 3,83 bilhões de retorno, sobretudo milho, soja, batata doce e hortifrutigranjeiros. Já a criação de animais alcançou um rendimento de aproximadamente R$ 5,32 bilhões.

LEIA MAIS: Confira a programação da Expoagro para esta quarta-feira

Para o presidente do SindiTabaco, Valmor Thesing, os resultados evidenciam a importância do tabaco para a agricultura familiar, destacando o fato de que uma pequena área gera um retorno superior ao de outras culturas. Entretanto, defendeu a necessidade da diversificação, que tem sido trabalhada pelo setor há 40 anos, que iniciou com o nome de Milho e Feijão. 

Desde que o sindicato assumiu o programa, em 2014, ele ampliou sua atuação para todo o setor no Sul do País. Isso, conforme Thesing, resultou não apenas na geração de renda extra, mas também de proteger o solo da erosão e aproveitar o residual de fertilizantes do tabaco e outros recursos, provendo mais alimentação.

Conforme o presidente do SindiTabaco, o programa contempla produtores do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, por meio da parceria com entidades e os governos estaduais. “Se voltarmos 10 anos atrás, é possível perceber que a dependência do produtor sobre o tabaco tem diminuído a ponto de estar quase equilibrado hoje. Isso é extremamente importante e nós queremos contribuir com os 138 mil produtores dos três estados do Sul”, afirmou Thesing.

LEIA MAIS SOBRE AGRONEGÓCIO

quer receber notícias de Santa Cruz do Sul e região no seu celular? Entre no NOSSO NOVO CANAL DO WhatsApp CLICANDO AQUI 📲 OU, no Telegram, em: t.me/portal_gaz. Ainda não é assinante Gazeta? Clique aqui e faça agora!

The post SindiTabaco e Embrapa assinam parceria para cuidar do solo das propriedades de tabaco appeared first on GAZ – Notícias de Santa Cruz do Sul e Região.

Adicionar aos favoritos o Link permanente.