Marcos históricos em ruas e museus preservam a memória de Salvador

Com seus 476 anos de existência, Salvador é uma cidade marcada pela história. Esculturas, monumentos e marcos históricos espalhados por ruas e museus preservam a memória da capital e relembram sua fundação em 1549, como a primeira do Brasil.“Nós temos marcos e elementos que remetem ao período colonial e ao fato de Salvador ter sido a capital da América Portuguesa por mais de 200 anos. Na Rua Chile, por exemplo, há um monumento alusivo à fundação da cidade. Na Barra, temos o Marco da Fundação, um no Porto e outro no Farol, todos fazendo referência a momentos importantes da história. E cada um com um significado diferente”, explica o historiador baiano Rafael Dantas.Rafael conta que, ao chegarem às terras brasileiras, os portugueses espalhavam estruturas e monumentos de pedra para definir a posse de territórios e delimitar fronteiras. Assim, as figuras vistas hoje são réplicas, construídas em datas comemorativas e históricas, desses marcos utilizados no período colonial.Entretanto, ainda há um único exemplar de um marco originalmente utilizado pelos portugueses encontrado na cidade, guardado no museu do Palácio Arquiepiscopal de Salvador. O objeto é um pedaço de rocha feito de lioz e calcário, que contém a inscrição “Torre do Tombo”. Segundo Rafael, o nome faz referência ao arquivo de posses do reino de Portugal.“Os monólitos de pedra eram espalhados pelo território e gravados com nomes específicos para fazer alusão ao domínio português. Muitos outros existiam, mas este é o único e mais antigo marco que ainda temos em Salvador”, pontua Rafael.A pedra foi encontrada em uma fazenda na região do município de Candeias, na região metropolitana de Salvador, em 2006. Após isso, foi levada para o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), onde foi confirmada a sua veracidade. De acordo com Rafael, outros marcos originais podem estar perdidos pela Bahia. “Provavelmente existem outros, que estão soterrados. O problema é que ninguém sabe onde estão”, comenta.Fundação da cidadeNo Porto da Barra, o Marco da Fundação da Cidade do Salvador destaca-se como um dos principais cartões postais da cidade relacionados aos tempos coloniais. O símbolo foi instalado em 29 de março de 1952, data de aniversário da capital. A estrutura, esculpida pelo português João Fragoso, possui 6 metros de altura e carrega em sua ponta os símbolos da Coroa Portuguesa e da Cruz de Cristo. Ao lado do marco, o local ainda exibe um painel de azulejos que retrata a chegada de Tomé de Sousa à Bahia.“Esse marco celebra o mês de fundação da cidade e representa a sua fundação em 1549. Ele é extremamente importante para a identidade do povo soteropolitano, pois simboliza a chegada de Portugal aqui. As pessoas se reconhecem nesses símbolos”, defende o professor de História da Bahia, Murilo Mello.De acordo com Murilo, o local onde a estrutura está localizada foi o ponto de partida para a construção e expansão da cidade. “Ali, primeiramente, foi construída uma vila, conhecida como Vila do Pereira. Depois, Tomé de Souza começou a expandir a cidade, adentrando pela praia”.Apesar do simbolismo, o diretor da Associação de Moradores e Amigos da Barra (Amabarra), Waltson Campos, se queixa de um certo descaso da população com o monumento e alega até que é utilizado como “sanitário”: “Poucas pessoas sabem dos episódios históricos que ocorreram ali, ou não se importam muito. Um monumento como esse não pode ser tratado dessa forma. Tem gente que vai e não consegue ficar nem dois minutos, por conta do mau cheiro”.História vivaPara Waltson, os marcos históricos da capital têm o papel de reforçar o valor da cidade. “É importante para que se compreenda a importância de Salvador. É necessário que as pessoas não esqueçam sua história e suas raízes. Os monumentos, espalhados pela cidade, tornam essa história viva. E poucas cidades têm uma história como a nossa.”Além dos marcos, o historiador Rafael Dantas destaca outras estruturas que rememoram o período colonial, como a estátua em homenagem a Tomé de Sousa, no Centro Histórico de Salvador. “Foi ele quem fundou a cidade em 1549. Ele foi responsável pela criação de Salvador naquele período e pelas primeiras construções. Foi o nosso primeiro gestor público”, lembra Rafael sobre o português.“Esses registros são testemunhos da época de criação e consolidação do que veio a se tornar a Bahia e a cidade de Salvador. É preciso preservá-los, pois são recortes desse tempo”, diz ele.
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