Prefeituras do litoral de SP vão instalar câmeras e fazer rondas para coibir rachas de charretes

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ISABELLA MENON
PERUÍBE E ITANHAÉM, SP (FOLHAPRESS)

Autoridades se reuniram, nesta terça-feira (1º), para articular medidas que coíbam rachas de charretes nas praias do litoral de São Paulo. O encontro ocorre após uma charrete atropelar a turista Thalita Danielle Hoshino, 38, na praia de Santa Cruz, na divisa entre Peruíbe e Itanhaém.

Ela andava de bicicleta no momento da colisão e morreu após dois dias de internação. O condutor da charrete nega que praticasse racha.

Na reunião, que aconteceu na Delegacia Seccional de Itanhaém, que também contempla Peruíbe, foi acordado entre as duas cidades um revezamento para realizar o monitoramento das praias.

A ideia é que as equipes dos municípios façam rondas entre 7h e 17h. A medida deve começar a valer no próximo fim de semana.

Além disso, serão instaladas seis câmeras na região onde aconteceu o acidente e, recorrentemente, acontecem rachas -quatro equipamentos serão da Prefeitura de Itanhaém e os outros dois da gestão de Peruíbe.

Segundo as autoridades presentes no encontro, uma das câmeras instaladas em Peruíbe tem capacidade de filmar 360°. A outra será instalada na saída da rodovia e entrada na avenida que desemboca na praia e tem capacidade de leitura de placas de automóveis.

Parte das pedras instaladas pela Prefeitura de Itanhaém na última sexta-feira (28), na praia de Santa Cruz, para evitar os rachas de charretes, já foi retirada.

A reportagem esteve no local nesta terça-feira e avistou falhas no bloqueio com pedras feito pela gestão municipal. Segundo o secretário de segurança da cidade, Milton Campos, a barreira será reforçada e o automóvel responsável por furar o bloqueio já foi identificado.

A estrutura provisória foi montada após a morte de Thalita.

A Secretaria de Serviços Públicos e Zeladoria afirma que “a forte maré cobriu parte das pedras (matacão)” e diz que vai providenciar a “reposição e reforço da estrutura”.

Já o secretário de Peruíbe, Cristhian Rodrigues, afirma que não é possível instalar nas praias da cidade esse tipo de estrutura uma vez que há a presença de três aldeias indígenas e as barreiras poderiam atrapalhar a circulação de pessoas.

O delegado da seccional Archimedes Cassão Veras Júnior afirma que a ideia é que o plano elaborado iniba os rachas na região.

“Essas práticas clandestinas causam os maus-tratos dos animais, visam o lucro e podem causar o risco de morte a pessoas e animais”, diz.

Archimedes afirma que, antes do caso que causou a morte da turista, rachas já ocorriam frequentemente.

“Eles atuam sempre sorrateiramente, procuram evitar ação policial ou ação de algum agente público.”
Nesta segunda (31), a Polícia Civil de São Paulo tomou o depoimento do condutor da charrete que atingiu e matou a ciclista na praia de Santa Cruz.

Rudney Gomes Rodrigues, 31, cumpre prisão temporária na Cadeia de Peruíbe, onde foi ouvido pelo delegado Arilson Veras Brandão. Ele foi preso no sábado (29).

O condutor da charrete atropelou Thalita enquanto ela andava de bicicleta na faixa de areia, no domingo (23).

Segundo o delegado, o condutor da charrete nega que estivesse em qualquer tipo de racha ou corrida e disse que estava testando uma égua que tinha acabado de adquirir.

Gabriela Ferreira Neves de Andrade, 24, amiga da vítima, estava no local na hora do atropelamento e afirmou à polícia que o condutor fazia um racha com outra charrete quando acertou a ciclista.

Moradores e comerciantes locais dizem que os rachas de charretes já acontecem há pelo menos três anos aos finais de semana. “Treinos” para os rachas também ocorrem, eventualmente, durante dias úteis, ainda segundo os moradores.

Ele também dizem que a maioria dos cavalos usados vem de cidades como São Vicente e Praia Grande.

Vídeos feitos por moradores mostram cavalos com charretes em disparada e o público observando em volta.

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