Fósseis de 225 milhões de anos são encontrados em Passo do Sobrado

Uma equipe de paleontólogos encontrou 18 fósseis de rincossauros em um afloramento no município de Passo do Sobrado, no Vale do Rio Pardo. A descoberta, feita por pesquisadores da Universidade Federal do Pampa (Unipampa) e do Museu Municipal Aristides Carlos Rodrigues, de Candelária, reforça a importância da região para o estudo do período Triássico, há cerca de 225 milhões de anos.

O trabalho de campo ocorreu em duas etapas, a primeira no fim de janeiro e a segunda nos dias 26 e 27 de março. A equipe incluiu paleontólogos da Unipampa, de São Gabriel, acompanhados de alunos da instituição. Pelo Museu de Candelária, participaram Carlos Belarmino e Lauro Gomes.

Segundo os pesquisadores, os fósseis foram levados ao Museu Municipal Aristides Carlos Rodrigues, onde passarão por análise e preservação. Dois espécimes foram encaminhados ao laboratório da Unipampa, para limpeza detalhada.

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O curador do Museu Municipal Aristides Carlos Rodrigues, Carlos Nunes Rodrigues, disse que a descoberta chama a atenção em razão da sua preservação. “Nos chamou a atenção a boa preservação de um esqueleto quase completo de um rincossauro e o achado de um dente atribuído a um predador, um arcossauro.”

Descoberta é considerada única, segundo pesquisador

A descoberta reforça a presença de fósseis do andar Carniano, um dos períodos do Triássico, e amplia o conhecimento sobre os rincossauros, répteis herbívoros que viveram antes dos dinossauros. Um dos achados mais notáveis foi um esqueleto quase completo, o que é raro devido à fragmentação comum nos fósseis.

Os pesquisadores afirmam que a localização dos fósseis, em uma área ao norte do município, pode contribuir para a valorização científica e patrimonial da região. O material será incorporado ao projeto do Geoparque do Vale do Rio Pardo, que visa preservar e divulgar o patrimônio geológico do local.

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Segundo o professor e doutor em Paleontologia Felipe Pinheiro, da Unipampa, esse achado é único. “Isso é uma coisa que não tem precedentes até o momento aqui na paleontologia do Rio Grande do Sul e na brasileira, especialmente quando a gente está falando do período Triássico. Além disso, temos indivíduos praticamente completos”, comentou.

Turismo pode ser beneficiado

O turismo paleontológico em Passo do Sobrado pode ser impulsionado após a localização dos fósseis. Para envolver a comunidade, o Museu Municipal Aristides Carlos Rodrigues planeja ações educativas e exposições sobre a importância da preservação do patrimônio fossilífero.

Atualmente, os fósseis são protegidos sob a supervisão da Unipampa e do museu, que garantem seu tombamento dentro do projeto do geoparque. No entanto, a preservação enfrenta desafios, como a necessidade de investimentos para infraestrutura e segurança das peças.

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O período Triássico, que sucedeu ao Permiano e antecedeu o Jurássico, ocorreu entre 237 e 220 milhões de anos atrás. O Vale do Rio Pardo tem registros desse período com diferentes paleofaunas, desde grandes répteis até os primeiros dinossauros e mamíferos primitivos.

Para Carlos Rodrigues, a nova descoberta fortalece a posição do Vale do Rio Pardo como um dos principais sítios paleontológicos do Brasil e pode abrir caminho para novas pesquisas e investimentos na área.

Mostra na Expocande

Os fósseis encontrados na região estarão em destaque na Expocande, que ocorrerá em Candelária de 30 de abril a 4 de maio. Segundo os organizadores, essa será a maior exposição já realizada pelo museu. O evento contará com uma réplica de um dicinodonte de 4 metros de comprimento por 1,60 metro de altura, além de outras peças do acervo.

A equipe do museu está mobilizada para receber um grande número de visitantes durante a feira. O objetivo é apresentar ao público a riqueza paleontológica do Vale do Rio Pardo e incentivar a preservação desses registros históricos.

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Saiba mais

Como se formam os fósseis?

Segundo o professor da Unipampa, Felipe Pinheiro, os fósseis são preservados nas rochas por meio de um processo estudado pela tafonomia, uma área da paleontologia. No caso analisado, os animais viviam em grandes grupos, como uma manada de rincossauros. Em determinado momento, um evento geológico catastrófico, como uma grande enxurrada, soterrou-os rapidamente.

Com o tempo, a lama que os cobriu endureceu e se transformou em um tipo específico de rocha. Dentro dessa rocha, os restos dos animais foram preservados por milhões de anos até serem encontrados pelos pesquisadores. Esse processo explica como fósseis podem ser tão bem conservados e descobertos em escavações.

O que é o período Triássico e quais animais habitavam essa região na época?

Período que sucede ao Permiano e antecede o Jurássico. Existem registros nessa região em um lapso temporal de 237 a 220 milhões de anos. Os animais de maior destaque são os grandes répteis, os mammaliaformes, entre outros dinossauros.

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