Aprovação de Lula continua em queda; apoio cai na parcela mais fiel ao petista

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Pesquisa Genial/Quaest divulgada ontem mostrou que a aprovação do governo Lula voltou a cair e atingiu o pior patamar desde o início da gestão, em janeiro de 2023. O índice de desaprovação, que era de 49% em janeiro, passou para 56% em março. A aprovação, por sua vez, caiu de 47% para 41% no mesmo período.

Já em relação à avaliação do governo, 41% disseram considerar a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva negativa, ante 37% em janeiro; e 27% a avaliaram como positiva, ante 31% em janeiro. Outros 29% apontaram o desempenho do Executivo como regular; em janeiro, eram 28%.

A segmentação da pesquisa indica que Lula perdeu apoio até nos grupos nos quais registrava os melhores índices de aprovação, como os nordestinos, os mais pobres, as mulheres e os católicos. A região que mais aprova o governo é o Nordeste, a única em que as menções positivas superam as negativas. Ainda assim, a diferença entre aprovação e reprovação tem se estreitado desde outubro de 2024. Agora, 52% dos nordestinos aprovam a atual gestão e 46% desaprovam.

A avaliação negativa do governo superou a positiva entre as mulheres – são 53% ante 43%. Na rodada anterior, de janeiro, 49% das mulheres aprovavam a gestão, ante 47% que desaprovavam. No recorte por renda, a pesquisa também não é boa para o terceiro mandato de Lula. Entre a faixa de quem recebe até dois salários mínimos – na qual o petista registra o melhor desempenho -, 52% aprovam o governo e 45% reprovam, mas essa diferença é a menor da série histórica.

A Quaest realiza recortes de religião entre católicos e evangélicos. Desde fevereiro de 2024, o quadro entre católicos é de aprovação ao governo superior à reprovação, mas os índices se igualaram em 49% na atual rodada.

Quanto ao perfil de escolaridade, a desaprovação de Lula aumentou de 36%, em janeiro, para 55% agora entre os que possuem fundamental e ensino médio incompleto. A aprovação caiu de 49% para 42%.

SLOGAN

Para tentar reverter a queda de popularidade de Lula, o ministro da Secretaria de Comunicação da Presidência (Secom), Sidônio Palmeira, vai assumir o slogan informal “O Brasil é dos brasileiros” em uma campanha que, segundo apurou o Estadão, pretende comparar ações do governo petista com a gestão de Jair Bolsonaro (PL). A ideia é destacar a “ampliação” de programas existentes e a criação de outros, como o Pé-de-Meia, do Ministério da Educação.

Segundo interlocutores do governo, pesquisas qualitativas internas indicam que um dos principais focos de desgaste da atual gestão é o descompasso entre o que Lula diz e o que efetivamente entrega. A promessa de campanha de que o brasileiro voltaria a comer picanha virou um símbolo dessa discrepância, dado o aumento do preço dos alimentos.

Para o cientista político Antonio Lavareda, a ideia de mudar o slogan é bem-vinda. “União e Reconstrução”, avaliou, perdeu o momento, especialmente agora que o País segue polarizado. Quanto a outro mote usado, “O Brasil dando a volta por cima”, ele questionou: “Se até agora não demos a volta por cima, quando isso irá acontecer?”.

Estrategista e consultor, Felipe Soutello considera a comparação com o governo Bolsonaro inadequada, já que o ex-presidente está inelegível. “A comparação acaba colocando o adversário em evidência”, afirmou.

Estadão conteúdo

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