Master terá que aportar R$ 2 bilhões para viabilizar a operação com o BRB

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BRB condicionou a compra de 58% do Banco Master a uma injeção de R$ 2 bilhões pelos atuais controladores, é o que prevê o acordo entre elas. A medida adotada pela presidência do BRB faz parte de uma política de expansão da instituição, após escândalos em outras gestões que acabaram ocupando as páginas policiais do país e diminuindo a credibilidade do agente distrital.

De acordo com o Banco de Brasília, o objetivo da instituição com a compra de parte do Master é ingressar com mais força no mercado de crédito consignado, no segmento corporativo, serviços de mercado de capitais, câmbio e banco digital, áreas as quais o banco do Distrito Federal ainda não possui entrada. Isso poderá beneficiar, inclusive, os mais de 8,1 milhões de clientes espalhados pelo Brasil e no DF.

Segundo posicionamento do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), a transação tem perfil “simples”, por não interferir no mercado financeiro. Por sua vez, o Banco Central ainda realizará análise mais criteriosa, para que todos os pontos sejam revisados e a compra não transcorra em problemas futuros. 

O BRB também tem tomado medidas, para que a instituição não venha, no futuro, sair prejudicada na transação. Para isso, o banco do Distrito Federal está deixando de adquirir R$ 23 bilhões em ativos, entre eles precatórios, que não fazem parte da estratégia de expansão da atual diretoria.

Lucratividade e crescimento

O anúncio da aquisição, feita no início desta semana, animou o mercado financeiro e valorizou as ações do BRB. O bom resultado soma-se a lucros recorrentes do último ano, que apenas nos primeiros nove meses de 2024, resultaram em ganhos de R$ 180 milhões, com alta de 58,1% em relação ao mesmo período de 2023. 

Os ativos totais saltaram para R$ 55,4 bilhões, estimulados por uma carteira de crédito de R$ 37,5 bilhões. Destaque para o crédito imobiliário R$ 11,1 bilhões, e o crédito rural R$ 1,75 bilhão.

Por sua vez, Banco Master também apresentou resultados financeiros expressivos, com um lucro líquido de R$ 1 bilhão em 2024. Isso é o dobro do registrado no ano anterior. O patrimônio líquido da instituição atingiu R$ 4,7 bilhões, e o total de ativos chegou a R$ 63 bilhões.

Escândalos e retomada

Nos anos que antecederam à retomada do crescimento do Banco de Brasília, a instituição financeira estatal do Distrito Federal passou por episódios policialescos, com a prisão de ex-gestores . 

O primeiro deles foi Tarcísio Franklim de Moura, acusado de peculato e lavagem de dinheiro, em transações que envolviam contratos do Cartão BRB. Ele foi condenado, em 2018, pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT), somando-se as penas, a mais de 25 anos de cadeia e ao pagamento de multa. Junto com ele, outros funcionários do BRB tiveram penas que variaram de 8 a 25 anos de cadeia e o ressarcimento de 3,5 milhões, à época. 

Em 2019, foi à vez de Vasco Cunha Gonçalves ser preso pela Polícia Federal em um suposto esquema de pagamento de propina. Após análise da Justiça, o ex-presidente do BRB foi condenado, mas, no ano passado, após revisão do caso e da delação feita contra ele, Vasco foi inocentado e as acusações contra ele arquivadas.

Foi com esse cenário de desconfiança que a atual gestão do BRB assumiu a direção do banco e passou a buscar expandir a marca, abrindo agências em outros estados e aumentando sua carteira de clientes. 

As projeções, de acordo com o mercado financeiro, são de que, nos próximos anos, o Banco de Brasília fique entre as 10 maiores instituições do país. 

Oposição no mercado financeiro

Apesar do bom momento, a movimentação do BRB gerou incômodo em grandes instituições financeiras. A entrada mais agressiva do banco no mercado de varejo, especialmente com linhas de crédito mais acessíveis, incomodou concorrentes tradicionais. A aquisição do Banco Master amplia o alcance do BRB e o posiciona em setores mais lucrativos, como o middle market, o que ajuda a explicar a resistência velada de gigantes do setor.

Internamente, fontes apontam que os grandes bancos temem a formação de um novo polo financeiro com capital público forte, capaz de disputar espaço com os players tradicionais em regiões e segmentos hoje dominados por poucos.

Questionamentos

Atualmente, algumas questões estão sob a avaliação, tanto do Banco Central quanto do próprio BRB. Uma delas é sobre a carteira de ativos do Banco Master. Apesar de o Banco de Brasília não está adquirindo essa fatia, há o temor que, em caso de quebra, a instituição do Distrito Federal tenha que ser solidária ao pagamento de passivos futuros.

O segundo ponto levantado por críticos à transação é sobre a liquidez do banco regional. Com um investimento de R$ 2 bilhões, o problema poderia afetar o BRB. Entretanto, o mercado financeiro monitora todos os negócios, assim como o Fundo Garantidor de Créditos pode suprir tais problemas.

A operação ainda está sob a análise técnica do Banco Central e do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Todo o processo pode levar até 1 ano para ser concluído. Entretanto, existem pressões políticas e do próprio mercado financeiro em relação a essa aquisição, o que pode influenciar a decisão dos reguladores e afetar a reputação do BRB.

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