CV comemora aniversário de Marcinho VP com tiros de fuzil em favelas do Rio

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HERCULANO BARRETO FILHO
SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS)

O CV (Comando Vermelho) comemorou o aniversário de 49 anos de Marcinho VP com rajadas de fuzil e fogos de artifício nas favelas dominadas pela facção criminosa no Rio de Janeiro.

Instituto Fogo Cruzado identificou disparos no começo da madrugada de hoje. Levantamento feito pelo órgão a pedido do UOL identificou tiros no Complexo de Manguinhos, um dos redutos da facção na zona norte do Rio. Também há relatos de tiros no Complexo do Alemão e Penha. Questionada, a PM disse não ter sido acionada.

Festa em homenagem a Marcinho VP. Fontes ouvidas pela reportagem sob condição de anonimato indicam que o Complexo do Alemão terá festividade com culto evangélico em homenagem a Márcio dos Santos Nepomuceno. Historicamente, há distribuição de brinquedos para as crianças nas áreas de domínio da facção criminosa, segundo moradores.

QUEM É MARCINHO VP

Líder do CV está preso desde agosto de 1996, quando tinha apenas 20 anos. Em janeiro de 2007, Marcinho VP integrou uma lista de 12 presos transferidos de Bangu 1, presídio na zona norte do Rio de Janeiro, para o presídio federal de Catanduvas (PR) a pedido do então governador Sérgio Cabral. Ele era apontado como um dos responsáveis por tramar ataques a prédios públicos e a um ônibus de turistas.

Pena por crimes como homicídio e associação para o tráfico. O traficante cumpre pena de 37 anos de prisão no presídio federal de Campo Grande (MS), para onde foi transferido em janeiro deste ano.

Traficante montou seu próprio gabinete do crime em um presídio de segurança máxima. Um outro interno foi gravado enquanto lia bilhetes direcionados a Marcinho VP no banho de sol no pátio do presídio de Catanduvas (PR), em junho de 2021. O episódio, que faz parte de uma investigação conduzida pela Polícia Federal, ficou conhecido como “bilhetes do CV”, com determinações para ordenar torturas e mortes.

Mesmo preso, Marcinho VP fez mudanças na cúpula do CV. Segundo a Polícia Civil, ele repassou ordens a Luis Cláudio Machado, o Marreta, às vésperas de ele ser transferido do presídio federal de Catanduvas (PR) para Bangu, no Rio de Janeiro, em outubro de 2023. As defesas de Marcinho VP e Marreta negam as acusações.

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