Rejeição ampla, geral e irrestrita

izalci lucas

O senador brasiliense Izalci Lucas vinha cobrando dos institutos de pesquisa estudos sobre a rejeição dos candidatos, além das intenções de voto. Izalci, do PL, se preocupava, na verdade, com estudo da Paraná Pesquisas que o colocou em um distante segundo lugar na corrida ao Buriti.

É que Izalci aposta que a rejeição a seu nome é menor do que à líder da pesquisa, a vice Celina Leão. Hoje foi divulgada pesquisa de rejeição, mas não como queria Izalci, relativa às eleições do Distrito Federal, mas às escolhas nacionais.

A divulgação, pela Quaest, ocorreu na manhã desta quinta-feira e, entre outros dados, mostrou que 62% dos entrevistados não querem que o presidente Lula concorra à reeleição. Mas Lula já conhecia esse dado quando declarou a senadores, já noite adiantada de quarta-feira, que está se preparando para concorrer de novo no ano que vem.

Divulgados os números, já pela manhã, mostrou-se que a rejeição é mais democrática do que parece. A Quaest perguntou aos entrevistados de qual presidente têm mais medo. Deles 44% disseram que têm mais medo de Bolsonaro, 41% de Lula e 6% dos dois. Na rejeição propriamente dita, dá empate, 55% rejeitam Lula e 55% rejeitam Bolsonaro, que, vale lembrar, está inelegível.

Os dois perdem só para Eduardo Bolsonaro aquele que foi para os Estados Unidos, e tem 56%. Mas Lula e Bolsonaro ganham de todos os concorrentes citados – Michelle Bolsonaro, Tarcísio de Freitas, Romeu Zema, Ratinho Júnior e Ronaldo Caiado. E aí, dando força ao argumento de Izalci, se a preferência é baixa, a rejeição também é mais baixa.

Um estudo cheio de pistas

A pesquisa Quest não se limitou a avaliar preferências por nome, mas fez questionamentos que, por si, explicam a queda da popularidade do atual governo. Segundo o novo levantamento, a preocupação com a violência subiu para 29%. As questões sociais continuaram com os mesmos 23%, empatadas na margem de erro com a economia, que registrou 19%.

O combate à violência é sabidamente um ponto fraco histórico do PT, tanto que os adversários costumam acusar o partido de ser defensor de bandidos. O próprio Lula já ajudou a reforçar essas acusações, por exemplo quando minimizou o furto de celulares como algo rotineiro e praticado por necessitados.

É a primeira vez que a violência ultrapassa todos os demais problemas sociais, mesmo somados. Os brasileiros ainda citaram como preocupação temas como saúde (12%), corrupção (10%) e educação (7%).

A economia aparece em segundo lugar – chegou já a primeiro, mas foi ultrapassada – ao que tudo indica por conta da alta dos preços dos alimentos, o que vem sendo muito discutido no Palácio do Planalto, mas o próprio Lula se recusa a cortar despesas, o que facilitaria a queda de juros e reduziria a inflação.

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