Show Marisa Monte: Espetáculo mistura música e mobilização social

A Concha estava lotada. Lotada de vozes, de memórias e de sentidos. Na noite desta sexta-feira (4), Salvador foi cenário de um encontro raro, potente e emocionante: Marisa Monte e a Orquestra Afrosinfônica da Bahia subiram ao palco do Teatro Castro Alves para um espetáculo que misturou música e mobilização social em alto nível.O show, com ingressos esgotados, foi promovido pela CESE (Coordenadoria Ecumênica de Serviço) e teve toda a renda revertida para projetos de defesa dos direitos humanos no Brasil. E se a causa já era nobre, o espetáculo fez jus à responsabilidade.

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A abertura ficou por conta da própria Orquestra Afrosinfônica, que conduziu o público com a elegância e força de seus arranjos — guiados pela regência do maestro Ubiratan Marques e reforçados pelas quatro vozes femininas que dão identidade à formação. Um mergulho na cultura afro-brasileira, um convite à celebração das raízes e do presente, um delírio coletivo iniciado antes mesmo da estrela principal pisar no palco.E então, Marisa. A entrada foi triunfal. Magamalabares abriu a noite com o vigor de quem sabe exatamente onde pisa. A partir daí, o repertório foi uma jornada entre sucessos da carreira solo, da época de Tribalistas e homenagens à música brasileira de todos os tempos.

Ver essa foto no Instagram Uma publicação compartilhada por A TARDE (@atardeoficial)Teve Vilarejo, teve Ainda Bem, Depois, Ilusão, Velha Infância. Teve também Preciso me encontrar, de Cartola, e Carinhoso, de Pixinguinha — pérolas que se encaixaram como luvas no arranjo afro-orquestral. Uma ode à beleza da mistura.“Quando você junta pessoas que têm o mesmo propósito, que se preocupam com as mesmas coisas… Marisa sempre esteve perto da obra de Pixinguinha, Paulinho da Viola, das escolas de samba. Ela sempre foi essa mulher que movimenta, que defende esse povo brasileiro que é nossa cultura”, disse o maestro Ubiratan Marques em entrevista ao MASSA! “Juntar esse repertório foi como um reencontro. Mesmo sem nos conhecermos antes, parecia que já sabíamos o que fazer.”Nas primeiras fileiras, as irmãs Carla e Marcela Nunes mal conseguiam conter a ansiedade. “A gente é muito fã de Marisa, e poder ver ela junto com a orquestra é maravilhoso”, disse Marcela. “É Marisa com a cultura afro, valorizando a nossa cultura, e temos que prestigiar esse conjunto”, completou Carla.No fim da apresentação, Marisa dividiu com o público um pensamento simples e bonito: “Uma das coisas mais bonitas que eu aprendi com a música, que me faz ter fé na humanidade, é que quando uma multidão canta junto, canta sempre afinal. Isso é muito lindo.”E era isso mesmo: uma multidão cantando junto, como quem acredita. Uma noite de beleza e significado, de voz e presença, de harmonia e militância.“A gente está nesse encontro ajudando muita gente. É uma noite totalmente benéfica, que vai estar transformando muitas vidas. Nós todos juntos estamos sendo a prova do poder transformador da arte, da música. O poder transformador para a sociedade.”E é por isso que não foi só um show. Foi uma experiência. Uma celebração do Brasil profundo, múltiplo, resistente — aquele que canta até o fim.

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