A incoerência da FIFA: tira títulos de Corinthians, São Paulo e Inter e mantém o Mundial do Palmeiras?

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A decisão da FIFA de reclassificar os títulos mundiais de clubes como os conquistados por Corinthians (2000), São Paulo (2005) e Internacional (2006) levanta mais dúvidas do que esclarecimentos. A entidade, que até então reconhecia oficialmente essas conquistas como títulos mundiais, agora coloca em xeque os próprios torneios que ela ajudou a organizar, como no caso do Corinthians, ou que realizou diretamente, como os vencidos por São Paulo e Inter. A mudança não apenas gera confusão histórica, como também abre um precedente perigoso: se nem a FIFA respeita seus próprios registros, o que vale como verdade no futebol?

A suspeição sobre essa revisão cresce ainda mais quando se observa o que foi mantido. A Copa Rio de 1951, vencida pelo Palmeiras, continua sendo oficialmente reconhecida pela FIFA como o “primeiro torneio mundial de clubes”, ainda que a entidade sequer tenha participado da organização da competição. A chancela veio mais de 60 anos depois, em 2014, após intensa pressão política e diplomática envolvendo o clube paulista, a CBF e o então presidente da FIFA, Joseph Blatter.

A contradição é gritante. Títulos conquistados em competições organizadas ou coorganizadas pela própria FIFA estão sendo relativizados, enquanto uma taça de 1951, com critérios discutíveis e contexto completamente diferente, segue sendo tratada como mundial legítimo. Qual o critério? Qual a coerência?

A verdade é que a decisão da FIFA parece muito mais uma tentativa de reescrever a história do futebol sob conveniências políticas ou geográficas do que uma medida técnica ou justa. E isso incomoda — especialmente os torcedores dos clubes diretamente afetados, como Corinthians, São Paulo e Internacional, que construíram suas conquistas em campo, diante das maiores potências do futebol mundial de suas épocas.

A pergunta que fica, e que certamente provocará incômodo: se a FIFA desconsidera títulos recentes e organizados por ela mesma, com que autoridade continua reconhecendo o Palmeiras como campeão mundial de 1951? Uma incoerência que, por ora, continua sem resposta. Mas que merece ser cobrada.

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