Festa e responsabilidade

Ao entregar as chaves da cidade, na abertura do Carnaval da Bahia, o prefeito Bruno Reis repetiu um gesto originário na Grécia Arcaica, sem saber precisar-se a data exata e nem mesmo aproximada.O Momo é a personificação das figuras do sarcasmo e da ironia, tendo o original de deixar Atenas ao levar “cartão vermelho” dos cidadãos, incomodados por  sua mania de querer zombar de tudo e de todos.Este senso crítico aguçado pode ter evoluído para uma consciência de liberdade, viabilizando melhores escolhas para este período de pândega, no qual os superegos de cada qual relaxam e os desejos afloram.Responsabilidade e brincadeira não são antagônicos nestes dias momescos: só é possível pular, paquerar, esbaldar-se, se a cabeça estiver boa, pois é preciso controlar excessos para proteger o indivíduo e a espécie.Como necessariamente ocorre com toda manifestação cultural, não se pode agarrar a tipos “genuínos” ou “identidades pétreas”, misturando-se a espontaneidade da festa ao jeito de ser de todos quantos delas usufruam.O “epicentro” da aglomeração equiparável à festa das cores da Índia permanece em Salvador, mas os projetos de mercado de aguçado sentido lucrativo denunciam a migração antes mesmo dos micaretas de abril.Não se pode dizer “Carnaval” sem referir “governo do estado”, pois os investimentos em segurança, saúde, cultura, acessibilidade e infraestrutura viabilizam a farra mais organizada do mundo, sem temer errar.Embora não se possa calcular a distribuição do dinheiro, a expectativa é a de uma movimentação econômica de R$ 1,8 bilhão, fora a circulação monetária de negócios informais ou ilícitos em crescimento logarítmico.O crescimento, de acordo com dados da Secretaria da Cultura (Secult) deverá chegar a 63% em relação ao ano passado, com boas chances de alegrar tanto os investidores mais fortes quanto os que na festa trabalham em busca de pão.
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