Personal trainer investigado por crime sexual ao pedir fotos e vídeos íntimos de 40 mulheres é preso em operação


Edy Lourenço, de 36 anos, pedia vídeos e fotos íntimas das vítimas sob o pretexto de analisar os resultados dos treinos. Ele é investigado pelos crimes contra a dignidade sexual, que consiste em abuso sexual contra mulheres, importunação sexual e comercialização ilegal de anabolizantes. Edy Lourenço, de 36 anos, é investigado por importunar sexualmente 40 mulheres em Boa Vista
Reprodução/Instagram
Um personal trainer identificado como Edy Lourenço, de 36 anos, investigado por crimes sexuais contra ao menos 40 mulheres em Boa Vista, foi preso pela operação “Ciclo Final”, deflagrada pela Polícia Civil nessa quinta-feira (28). O suspeito pedia vídeos e fotos íntimas das vítimas sob o pretexto de analisar os resultados dos treinos, e oferecia anabolizantes a elas, segundo a polícia.
Ele é investigado pelos crimes contra a dignidade sexual, que consiste consistente em abuso sexual contra mulheres, importunação sexual e comercialização ilegal de anabolizantes. O caso é conduzido na Delegacia Especial de Repressão à Crimes Cibernéticos, pela delegada Kássia Poersch.
Na operação, ele foi preso em flagrante por falsificar, corromper, adulterar ou alterar produto destinado a fins terapêuticos ou medicinais. Foram apreendidas seringas e medicamentos como tadalafila, indicado para tratar a disfunção erétil, mas usado por frequentadores de academias como pré-treino.
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Conforme a delegada Kássia Poersch, o personal cometia o crime desde 2017 mesmo não tendo formação em educação física à época. Ele só se formou no final do ano de 2024. Segundo ela, entre as 40 vítimas há mulheres adultas e até adolescentes. Em denúncias, elas relataram condutas inapropriadas por parte do suspeito.
O g1 procurou o investigado e aguarda reposta. Além disso, tenta localizar a defesa dele.
“As vítimas estão sendo ouvidas para que possamos individualizar todas as condutas e suas respectivas tipificações penais. As investigações apontam que inúmeras mulheres tiveram contato com o investigado e de alguma foram vítimas de crimes por ele”, disse a delegada.
A suspeita da delegada é que o número de vítimas pode ser ainda maior, tendo em vista que as mulheres ouvidas até agora relataram que outras também foram aliciadas, mas tiveram medo de denunciá-lo.
“Segundo as vítimas e testemunhas as condutas eram corriqueiras e inúmeras mulheres ficaram receosas em denunciá-lo. Nosso pedido é para todas as pessoas, ao tomarem conhecimento dessa operação, que tenham sido vítimas de condutas nesses moldes, de aliciamento, de oferecimento de anabolizantes, até mesmo de aplicação, ou então, tiveram vídeos, fotos íntimas, solicitadas por pretextos corporais de estética, que venham nos procurar”, orientou a delegada.
As investigações relevaram que o modus operandi de Edy Lourenço consistia em frequentar diversas academias de Boa Vista, onde atuava como personal trainer. Durante essas visitas, ele captava mulheres, com quem estabelecia contatos, e oferecia treinos personalizados, utilizando a profissão como pretexto para solicitar fotos e vídeos íntimos, além de vender e aplicar anabolizantes.
Durante a operação foram encontrados anabolizantes sem procedência, além de materiais descartáveis utilizados em aplicações nas vítimas. Diversas substâncias contaminadas com sangue também foram apreendida e serão submetidos à perícia.
A operação teve o apoio de agentes da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE), e Delegacia de Proteção à Criança e Adolescente (DPCA)
‘Ciclo final’ – O nome da operação faz referência ao termo amplamente utilizado no meio fitness, “ciclo anabólico”, que representa o período em que um usuário consome anabolizantes para potencializar o ganho de massa muscular.
No contexto da investigação, segundo a delegada Kássia Poersh, a expressão remete ao comércio clandestino dessas substâncias e aos riscos graves que seu uso indiscriminado pode causar à saúde. Além disso, “Ciclo Final” simboliza o encerramento da trajetória criminosa do personal trainer, que utilizava sua profissão para enganar, explorar e obter vantagens ilícitas, incluindo abusos sexuais. A operação representa o peso da lei sobre aqueles que se aproveitam da confiança de suas vítimas para cometer delitos.
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