Justiça e democracia

Justiça seja feita, a primeira turma do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu por unanimidade tornar réus o ex-presidente Jair Bolsonaro e sete aliados, titulares do primeiro núcleo da intentona golpista de 2022.O insofismável placar de cinco ministros a zero acatou a denúncia apresentada pela Procuradoria Geral da República (PGR), em iniciativa histórica por sinalizar o máximo respeito às instituições da democracia.O Brasil mostra ter amadurecido, como país sério, ao viabilizar, por trâmites republicanos, o processo criminal inédito para um chefe de Estado, formalmente processado e, se condenado, pode pagar com cadeia.A investigação da Polícia Federal conduziu ao plano de invalidar o resultado das eleições de 2022, com acréscimo de articulação para matar Lula, Geraldo Alckmin e Alexandre de Moraes, entre outros crimes.Não adianta vociferar o boquirroto inimigo da cidadania e da civilização, pois vai precisar economizar saliva para defender-se das acusações de golpe de Estado e abolição violenta da democracia.Também deve ele esquivar-se das contundentes provas de organização criminosa armada, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado, conforme o fornido dossiê antifascista.Os magistrados responsáveis pela empreitada cívica precisam seguir os trâmites necessários, com ampla oportunidade de defesa e presunção de inocência, mas o Judiciário tem tônus rijo para fazer valer a letra da lei.Outros suspeitos de articulação maligna, como o ex-ministro Braga Neto e Anderson Torres, na casa de quem foi encontrada uma minuta para legitimar a manobra hedionda, também têm de defender-se das acusações.Na histórica súmula, na qual, enfim, o Brasil conseguiu fazer valer sua grandeza, assinam os ministros Alexandre de Moraes, Flávio Dino, Luiz Fux, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin, em plêiade de juristas imparciais e de indiscutível competência.
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