Dinossauros mais antigos do mundo brigavam entre si, aponta pesquisa do RS


Estudo revela que os herrerassaurídeos, que habitavam o território que hoje é o Rio Grande do Sul, se envolviam em disputas agressivas, possivelmente por comida, território ou parceiros. Dois Gnathovorax se enfrentam em uma paisagem Triássica do sul do Brasil há 230 milhões de anos atrás.
Caio Fantini
Os primeiros dinossauros carnívoros de grande porte brigavam entre si. É o que revela um estudo da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), no Rio Grande do Sul, publicado na revista The Science of Nature, com as mais antigas evidências conhecidas de que os dinossauros teriam disputado, agressivamente, comida, território ou parceiros.
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Segundo a publicação, estudos prévios já registraram esse tipo de comportamento em dinossauros que viveram em períodos posteriores, como o Tyrannosaurus rex, mas esta é a primeira vez que tais evidências foram encontradas em dinossauros do Período Triássico.
A pesquisa se baseia em marcas de lesões ósseas cicatrizadas encontradas em crânios de herrerassaurídeos — veja imagem abaixo —, um grupo de dinossauros predadores, com garras longas, dentes afiados e, em alguns casos, mais de 6 metros de comprimento.
A pesquisa foi realizada pelo estudante de doutorado Maurício Silva Garcia, do Programa de Pós-Graduação em Biodiversidade Animal da UFSM, sob supervisão do paleontólogo Rodrigo Temp Müller. Além disso, também contou com a colaboração do paleontólogo argentino Ricardo Martínez (Universidad Nacional de San Juan).
“Esse é o primeiro registro para dinossauros tão antigos assim. Esses dinossauros foram os primeiros do grupo a surgir no mundo. É interessante a gente ver que esse tipo de comportamento já estava presente nos primeiros dinossauros”, afirma Maurício Silva Garcia.
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Fóssil de Gnathovorax cabreirai, um herrerassaurídeo com lesões ósseas preservadas no maxilar.
Rodrigo Temp Müller
Brigas com mordidas
Quase metade dos crânios analisados no estudo apresentou sinais de ferimentos cicatrizados, sugerindo que esses dinossauros mordiam uns aos outros durante confrontos. Esses dinossauros são alguns dos mais antigos já descobertos.
Segundo a pesquisa, as análises revelam que as marcas não foram causadas após a morte do animal ou por outros predadores, já que elas contam com sinais de cicatrização, o que indica que os ferimentos ocorreram enquanto os dinossauros ainda estavam vivos.
“Esses fósseis, especificamente, têm cerca de 230 milhões de anos, são muito antigos. É normal que o fóssil tenha alguns tipos de marcas, craquelados, fraturas, mas isso que a gente estava vendo era bem diferente disso, dessas outras marcas”, explica Maurício.
De acordo com o pesquisador, essa descoberta revela que o comportamento de disputas territoriais e hierárquicas pode ter surgido já durante o início da evolução dos dinossauros.
“Essas marcas permitem entender como era o comportamento desses animais tão antigos. Porque, por mais que a gente consiga extrair muita informação a respeito dos ossos, o comportamento é sempre uma coisa muito difícil de inferir em animais extintos, porque simplesmente a gente não consegue observar eles”, finaliza.
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