Mercado revisa para baixo previsões de inflação e crescimento do PIB brasileiro para 2025

Os analistas do mercado financeiro revisaram para baixo as projeções de inflação e crescimento da economia brasileira em 2025. Os dados constam no Boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira, 24, pelo Banco Central (BC), e refletem a percepção de mais de 100 instituições financeiras sobre os principais indicadores econômicos do país.

A estimativa para a expansão do Produto Interno Bruto (PIB) caiu de 1,99% para 1,98%, enquanto a previsão para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial, recuou ligeiramente de 5,66% para 5,65% neste ano.

Projeções econômicas e impacto da Selic

Além da leve redução na expectativa de crescimento, as previsões para a taxa básica de juros, a Selic, foram mantidas em 15% ao ano para 2025 e 12,5% para 2026. Na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), realizada na semana passada, o Banco Central elevou os juros em um ponto percentual, atingindo 14,25% ao ano, marcando a quinta alta consecutiva. Segundo a instituição, a decisão foi tomada para conter a inflação, que segue acima do teto da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), fixada em 3% com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.

Com a Selic elevada, o crédito fica mais caro, impactando o consumo e os investimentos. A redução no ritmo da economia, por sua vez, reflete diretamente nas projeções de crescimento, que para 2026 devem se manter em 1,6%, segundo o relatório do BC. Para os anos seguintes, o mercado projeta crescimento de 1,9% em 2027 e 2% em 2028.

Inflação e cenário econômico

O mercado financeiro também ajustou suas expectativas para a inflação nos próximos anos. Para 2026, a previsão subiu de 4,48% para 4,5%, enquanto para 2027 e 2028, as projeções se mantiveram em 4% e 3,78%, respectivamente. A persistência da inflação elevada continua sendo uma preocupação para economistas, especialmente diante do aumento dos preços de alimentos e energia, fatores que contribuíram para o índice de fevereiro registrar alta de 1,31%, o maior patamar desde março de 2022.

Com a inflação acumulada em 12 meses chegando a 5,06%, o Banco Central já admitiu que a meta pode ser descumprida nos próximos meses, o que poderia resultar na necessidade de uma nova carta pública explicativa ao Ministério da Fazenda, conforme prevê a legislação quando o índice ultrapassa o limite de tolerância por seis meses consecutivos.

Mercado cambial e dólar

Outro fator que influencia as projeções econômicas é a cotação do dólar. Para o final de 2025, os analistas reduziram a previsão de R$ 5,98 para R$ 5,95. Já para 2026, a estimativa permanece em R$ 6. O câmbio é um fator base para a inflação, pois impacta diretamente os preços de produtos importados e das commodities brasileiras no mercado internacional.

Erros nas projeções

Apesar das projeções constantes do mercado financeiro, o Jornal Opção já citou que um levantamento do portal UOL apontou que nos últimos quatro anos aproximadamente 95% das previsões feitas por economistas sobre indicadores como PIB, câmbio e Bolsa de Valores estavam erradas. As expectativas, mesmo baseadas em modelos matemáticos e análises detalhadas, frequentemente não se concretizam, refletindo a complexidade do cenário econômico global e suas variáveis imprevisíveis.

A manutenção da inflação acima da meta e a desaceleração econômica impactam diretamente o poder de compra da população, especialmente os trabalhadores de menor renda. Quando os preços sobem e os salários não acompanham o mesmo ritmo, há uma perda real no consumo e na qualidade de vida da população. 

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